sábado, 27 de julho de 2019

O FANTÁSMA DO INCÊNDIO NA FLORESTA

                                       O FANTASMA DO INCÊNDIO NA FLORESTA
  - É algo grotesco estar a titular desta forma ao que acaba de ocorrer em matéria de incêndios (com particular destaque a Vila de Rei e Mação). Mas outra expressão seria descabida após as pomposas afirmações, propósitos e programas delineados e traçados no rescaldo do acontecido em 2017 em Oliveira de Azeméis, e no seguimento do que, o ano de 2018, longe de servir de um tempo catalisador para o acerto de soluções nesta matéria, tudo parece ter regressado à estaca ZERO, à exceção do valioso trabalho e empenho dos bombeiros. 
  - A problemática de incêndios florestais é sem dúvida complexa e apetece chamar, não sem razão, nomes pouco apropriados às superestruturas governamentais e da defesa civil, pela inépcia e ineficácia demonstradas no combate às chamas. Foi triste ver o Ministro de Administração Interna acolher-se sob a capa de que estava em investigação a origem criminosa do fogo para justificar a dimensão do fogo, ou o Presidente da Defesa Civil, sem enjeitar as responsabilidades, a referir que os "homens" faziam o que podiam, naturalmente pensando também naqueles populares desesperados, munidos de vulgares mangueiras de jardinagem e baldes a tentarem salvar o pouco das suas pertenças.
  - Não tenho capacidade nem conhecimentos técnicos para tecer considerações críticas sobre como deve ser feita a manutenção de florestas ou formar uma frente contra os incêndios florestais. O que posso é, como cidadão preocupado e observador, destacar aspetos que contribuam objetivamente para evitar este flagelo, pelo menos numa base de sustentabilidade - o que não tem sido observado.
 Assim:
* Tratando-se de um incêndio florestal o que está em causa é a imperiosidade de o extinguir o mais rapidamente possível, com o menor dano, quer para a floresta, quer para o do cidadão, (habitação e haveres), quer para a localidade onde o fenómeno ocorre. 
* Embora sejam expectáveis futuros incêndios (este ano e em anos vindouros) apesar da área sujeita a este flagelo ir gradualmente definhando (i.e. menos terreno para arder), o que urge é assegurar a capacidade e a forma eficaz de o combater. O rescaldo que acaba de se verificar demonstra que tal eficácia não existiu ou ficou muito aquém do desejável. E esta é uma responsabilidade solidária do MAI e dos Municípios. Vejamos porque:
* Para justificar este triste rescaldo, aponta-se a circunstância de se ter tratado de fogo posto por mão humana. Cumpre dizer a este respeito, que o facto do incêndio florestal ser de origem criminosa (por negligência ou dolosa) não tem a virtualidade de agravar as consequências do incêndio, nem justifica qualquer défice no seu combate. A base criminal do feito tem a sua sede própria de ajuizamento no tribunal, o que nada tem a ver com a eficiência com que o incêndio tem de ser combatido.
* Um último considerando prende-se com a natureza preventiva do combate ao incêndio florestal. Do que tem sido divulgado, está demonstrado que não existiu ou tem sido significativamente desleixada a efetiva fiscalização e cumprimento em matéria de limpeza de terrenos no que toca à eliminação dos materiais de combustão (tipo erva rasteira e outros), existentes, quer em terreno florestal, quer ao longo das estradas e caminhos, quer próximo das habitações - fatores esses. muitas vezes geradores ou propulsionadores do flagelo de incêndios. Esta é uma tarefa que, ao longo do ano, tinha que ser exercida e primar pela sua imediata executoriedade. Poderia não evitar o incêndio mas seguramente iria contribuir para reduzir as suas proporções. As Juntas de Freguesia e à GNR tem uma palavra a dizer a este propósito.
É possível por termo a esta "ópera" ou pelo menos torná-la menos espetacular.        

quarta-feira, 6 de março de 2019

A CRISE DA IGREJA e/ou A INEFICÁCIA DO SEU RITUAL DOUTRINÁRIO


A cimeira da Igreja Católica presidida pelo Papa Francisco a 21 de Fevereiro de 2019 sob o tema " A protecção dos menores na Igreja" reveste-se, sem dúvida, de um marco ímpar no  historial da Igreja Católica, algo semelhante à sua "mea culpa" e pedido de perdão pela Inquisição. Nesta cimeira que congregou, além do mais, 190 Presidentes de Conferências Episcopais, esteve em debate analítico o sem número de casos de abusos sexuais de menores praticados, atribuídos ao clero, no meio dos quais se pode destacar exemplarmente dois cardeais: - Theodoro Mc Carrick, E.U.A, expulso da hierarquia eclesiástica e - George Pell, de Austrália, detido, acabado de ser condenado pela justiça desse país num cômputo de 50 anos de prisão (de notar que este cardeal, era o nº 3 do Vaticano, tendo ocupado a pasta de Economia entre 2014-2017. De insólito, tem no seu  palmarés a violação de 5 jovens, entre estes, um de 13 anos, actos, pelo menos um deles, praticado nos recintos da Catedral de Melbourne).
Pelos vistos, dada gravidade do temática a que a Cimeira se destinava, não terão relevados outros casos do género, como as violações de maiores, o lesbianismo em conventos e colégios de freiras, os artifícios para alcançar favores sexuais e outras situações do género, a comprometer invariavelmente  as "virtudes" de que o clero se proclama personificar como representantes do "divino".
O rescaldo da Cimeira, que durou, salvo erro, 3 dias, saldou-se na indicação de 8 ideias conclusivas (1 - Protecção de Menores, 2 - Seriedade impecável, denúncia à autoridade, 3 - Uma verdadeira purificação. 4 - A formação, 5 - Reforçar e verificar as directrizes de Conferências Episcopais, unidade de acção, 6 - Acompanhar as pessoas que sofrem de abusos, 7 - o mundo digital, 8 - O turismo social.) - itálicos meus. Trata-se, sem dúvida, de um alinhamento de boas intenções, traçando rumos para actuações programáticas para o "doravante". São, no entanto, pouco garantísticas de que sejam de molde a evitar maledicências no futuro. Na verdade, a Cimeira limitou-se a constatar e reconhecer o que era evidente e não podia ser ignorado.
Ficou por definir o porque das coisas, donde vinha o envolvimento, a inclinação dos responsáveis pela acção da Igreja ou seja, enquanto as causas do fenómeno não forem difundidas e eliminadas, é manifesto que este corre o risco de se repetir. Será que a Cimeira não estava consciente dessa omissão? Tudo leva a supor que esta consciência existia, Na verdade, ir ao fundo do problema envolveria ter que tomar posição sobre questões como o celibato, o confessionário, a razão divina sobre específicos comportamentos humanos, o secretismo, a indiscutibilidade das opiniões do prelado a infalibilidade da igreja(!) e outros do género.  
Ao assim proceder, a Igreja deixa em aberto a posição a assumir perante a validação do projecto doutrinário de que a religião católica diz representar. E a indagação é tanto mais pertinente quanto é certo estarem envolvidos neste projecto os mais altos dignatários da Igreja, alguns deles com responsabilidades não só institucionais mas de representação. E então interroga-se: se assim é, qual é a força, o impulso da regra doutrinária desta corrente religiosa? Se não foi capaz de disciplinar e convencer os seus próprios dignatários e responsáveis, como, poderá arrogar essa disciplina no amplo contexto do seus crentes? E no plano subjectivo dos ritualistas da Igreja, pergunta-se: com que tipo de valoração e força ética podem clamar e exigir do fiel ou crente que lhe obedeça, se ele próprio demonstra que a doutrina religiosa que professa não foi capaz de o transformar para o Bem que proclama? Já lá vão os tempos em que se acreditava no " faz o que te digo, não faça o que faço". Aliás, é neste fundamento que reside a perda de substância na prática religiosa, sendo cada vez mais crescente o número dos que se dizem incoerentemente "católico não praticante", imperando neste campo o culto do mero formalismo religioso, até por conveniência própria ou social.
Entendo, por isso, que fica aqui posta em causa a força de convicção derivada da crença  que o prescrição religiosa pretende arrogar-se. Atente-se que não estão em causa os valores que a religião em apreço diz defender. São no entanto valores que qualquer filosofia ou corrente ético-social preceitua, sem que para tanto se tenha que se abalançar a um patamar do transcendente, espiritual ou metafísico, de crença ou . de crendice.
De tudo o que se disse, fica em aberta a sensação em como a Igreja não foi mais longe neste cimeira, porque se o fizesse colocaria os seus pilares num equilíbrio instável~. E por cá fico.


quarta-feira, 1 de agosto de 2018

O RETORNO - O Mundo dos Homens e das Coisas.


Cá estou, decorrido mais de um ano sobre a minha última intervenção. As pessoas que por vezes me honram passando uma vista sobre "para saber se o Colaço escreveu algo" poderão ter dado pela ausência - mas, provavelmente nada se perdeu. Com efeito o mundo foi girando, e a vida foi "acontecendo" com os seus pulsões. Mas confesso - muita coisa de importante sucedeu  - à margem deste blog, marcando o ritmo da realidade, por vezes instável, mas sempre em equilíbrio.
Penso que é indiferente conhecer as motivações deste meu interregno; significativo é que tenha retomado a actividade no blog - todavia, sem a garantia de que não possa em qualquer altura, mais uma vez, interrompê-lo e retomá-lo de seguida. A probabilidade é enorme pois tenho em mão um projecto pessoal de alcance familiar com termo previsto para o mês de Outubro E pronto.
FACTOS EM REVISTA (para eventual recordação): Relacionarei sem preocupação cronológica -mas apenas para que fique em registo o que me ocorre nesta data, assim de rompante, sem óbvio reconhecimento da importância de outros, que não vão mencionados simplesmente porque não me ocorrem de momento (também não posso esperar pelo despertar da memória pois então correria o risco de se tratar de um trabalho sem fim): - as vítimas  dos incêndios florestais, nomeadamente em Pedrogão - Grande em Junho de 2017 (falta de uma política florestal de conservação) a que acrescentarei agora a mais recente tragédia na Grécia em 21 de Julho de 2018; - os mini tsunamis em Minorca (e Mallorca) (17.07) - onde Deolinda , António e eu estivemos 2 semanas antes - (alterações climáticas); - a situação do povo Rohinyas - Myanmar (problema de intolerância religiosa e de minorias  étnicas e o compromisso politico ideológico de dirigentes tidos por prestigiados - prémio Nobel - como Aung Suu perante o militarismo);  - o heróico salvamento e não menos heróico endurance dos 13 enclausurados na gruta Tham Luang - Tailândia - (a solidariedade, o sacrifício e o engenho humano); o encontro Kim (coreia do Norte) e Trump (USA) na previsão de um desanuviamento nuclear ( tradicionais inimigos) a que acrescentaria o retorno à conflitualidade neste campo entre USA e o Irão, no contexto de uma política anti-Obama no sentido do empenho do Trump em desfazer tudo o que de positivo Obama havia alcançado; o prosseguimento da política de Israel, como um autêntico rogue - country no que é apoiado pelo Trump (tendo em conta a mais recente proeza deste em tentar reinstalar a Embaixada de USA para Jerusalém) e a insólita qualificação pelo Parlamento Israelita em reconhecer Israel como um Estado Judeu - uma posição à qual havia sido dada força jurídica pelo Tribunal Supremo desse mesmo país;  o centenário de Nelson Mandela e o bicentenário de Karl Marx (a mera referência diz tudo) e para finalizar, a menção à decisão de duvidosa força jurídica (não afastando a eventualidade de  um quid de ingrediente político) de enviar (desaforamento) para Angola o processo crime onde é arguido o Vice Presidente deste pais, sobretudo quando esse país se recusava sistematicamente a cumprir o requisito processual de notificação. Haveria porventura mais items a assinalar, mas este referencial parece-me suficiente para a localização das coisas no tempo e lugar.
Não queria dar este post por terminado sem chamar atenção a uns aspectos que me parecem pertinentes: i) O conflito, israelo - palestiniano, é o núcleo de desencanto e o ponto onde se centra a descrença nas instituições nomeadamente internacionais para a tão almejada paz e solidariedade. A ONU tem de sair do seu "assobiar para o lado" quando as suas Resoluções são descaradamente desrespeitadas por parte de Israel deixando que este país vá ocupando sistematicamente espaços da terra palestina à base dos "colonatos" pactuando com a vitimização de Israel quando os palestinianos reivindicam a sua terra! A ONU tem de exigir o respeito que lhe é devido  e enviar para já os Capacetes Azuis para por ordem no local. Por outro lado, se é que se pretende a criação de dois Estados é fundamental que a OLP e o Hamas ponham de  parte as divergências tendo em conta que a generalidade dos palestinianos prefere viver,  não morrendo num contexto de uma rivalidade interna e de uma conflitualidade desorganizada, (esta é aliás a triste sina dos países pobres como India/Paquistão, ou aqueles onde se mata e se aniquila em nome da religião  e alguns países africanos onde organizações se digladiam e muitos governos pactuam com a violência e a miséria dos seus próprios habitantes, sujeitando-os a um enquadramento quase esquizofrénico de reivindicações, onde  uma nesga de terra, muitas vezes improdutiva  parece ter passado a valer mais que milhares de vida humana. Não se veja neste meu desabafo o propósito de pactuar com ocupações ou dominações territoriais, mas o de alcançar vias de reivindicação adotando-se metodologias sustentáveis. A outra questão prende-se com a trampa que o Trump anda a fazer, acalentando cada vez mais o "dito por não dito", rasgando acordos e lançando instabilidade porventura daí saindo apenas o incremento e aumento da sua fortuna. E por cá fico.                      

quinta-feira, 6 de julho de 2017

RESPONSABILIDADE POLÍTICA - Caso Tancos


Face ao recente desaparecimento (roubo) de material bélico em quantidade apreciável ocorrido na Base Militar de Tancos, o Sr. Ministro de Defesa assumiu a sua "responsabilidade política". Poderia esperar-se, que apresentasse a sua demissão ou que fosse demitido - o mínimo que deveria ocorrer nesta circunstância - mas tal não ocorreuMesmo se tal ocorresse nada adiantaria para o conhecimento da situação contextual. 
Não é propósito deste escrito estar a comentar a especificidade do gesto ministerial em concreto, nem sequer lançar palpites sobre a ocorrência que deu origem a um tal posicionamento. Para tanto estão a decorrer investigações, por iniciativa de tudo quanto é autoridade nesta matéria - o DCIAP, a PJ, a PJM, para mencionar algumas; fazem-se os comentários, como os de Pedro Tadeu no DN; alinham -se conjecturas e palpites, como no debate acesso entre os Srs. coronéis Sousa e Castro e Vasco Lourenço na RTP 3 do dia 04 à noite; o Sr. Chefe de Estado Maior de Exército suspende 5 Comandantes da Base por presumível responsabilidade, não obstante manter confiança neles (noticia do DN do dia 05); anunciou-se um protesto consistente na deposição de espadas por alguns oficiais (na reserva ou reforma) no Palácio de Belém, em sinal de protesto contra aquela suspensão, (protesto que no entanto acabou por não se realizar). São movimentações que valem por si, resultado das quais se saberá oportunamente.

Mas então o que é isto de responsabilidade política? É que vezes sem conta, esta mesma expressão tem vindo a ser utilizada por alguns políticos sem que daí se possa alcançar qualquer resultado de relevo para o destino  do país ou dos portugueses. Daí que seja legítimo indagar qual o valor exponencial deste acto político, qual  o seu valor, alcance e sentido.
Ora, materialmente e objectivamente considerada, do que até hoje se conhece, a assumpção desta  responsabilidade, carece de conteúdo. Em termos de interesse nacional esta não tem conduzido a coisíssima alguma. Reporta-se a pessoas que tem a sua profissão, geralmente bem relevante, são bem instalados na vida e bem relacionados, pelo que a "passagem política", em nada parece afectar a vida pessoal ou profissional. Com efeito, e bem ao contrário, para além, de reassumir a  sua anterior actividade, a passagem política, mesmo quando tortuosa parece atrair "novas oportunidades" e até ofertas de posições mais rendosas. - o leitor que faça a triagem dos casos e descubra veracidade do afirmado -.

Levada a responsabilidade política a sério num Estado de Direito Democrático, esta pode, deve e tem de assumir o seu verdadeiro estatuto e significado. E começa desde logo por uma questão de gestão. O dirigente tem de saber gerir politicamente. Há quem afirme que a política é a arte do possível; talvez assim seja, mas a gestão dessas possibilidades  tem de ser determinadas por cânones de ética de uma política de valoração democrática. Tudo há-de começar pelo conhecimento da pasta e do programa que escolheu  ou  que tem de levar a cabo. Neste campo o "know how" é basilar, nem sempre necessariamente compatível com graduações académicas, mas fundamentalmente demandando uma equipa técnica e politicamente capaz, longe de compadrios, de jeitos de favoritismo ou de recrutamento de agremiações ocultas. Assim, o procedimento exigível é o de privilegiar a confiança profissional em detrimento da simpatia ou escolha pessoal.
É em função desses pressupostos que se há-de avaliar a dita responsabilidade política quando questionada e a partir daqui descortinar onde é que esta falhou, a saber - no quadro constitucional,  no plano estratégico, no âmbito de relacionamento de liderança, no domínio do planeamento e organização ou ainda em matéria administrativa. É aqui que o responsável político tem uma palavra a dizer, nomeadamente se falhou e em caso positivo em que domínio ou domínios tal sucedeu.

É apenas isto que o País espera de um Ministro - um óbvio responsável político - que, perante um "caso" sentiu a necessidade de declarar que assume "a responsabilidade política".

Nota: não sigo o acordo ortográfico, enquanto puder.  

   







     

sábado, 7 de janeiro de 2017

GUTERRES - PAZ e o ACTO DE BENZER - 2017


       ANO "2017" -BREVE INFORME: SEI QUE NÃO FUI REGULAR NOS ESCRITOS - ACTIVIDADES INADIÁVEIS - VAI CONTINUAR O MESMO PELO MESMO MOTIVO - MAS CONTINUAREI A ESCREVER SEMPRE QUE POSSA.  
 
 
                  Dia 1 de Janeiro - Tomada de posse do Sr. Eng. António Guterres como Secretário Geral das ONU. Significativos foram dois actos e que merecem breves comentários - o seu apelo e dedicação pela PAZ e o sinal de cruz na sua  da 1ª entrada nas instalações da instituição.
                 Começamos pelo segundo. António Guterres, enquanto pessoa, crente, cidadão e Secretário-Geral tem o direito inalienável de exercer o seu culto onde quer que seja. Sucede porém que as instalações das Nações Unidas não sendo uma sede de oração é todavia o areópago de Nações, onde culturas, ideologias e religiões  se cruzam transversalmente. Neste aspecto a ONU e a sua acção assumem um caracter universalista, assente numa ética social mundial, que podendo coincidir com a ética religiosa de uma dada religião, não é exclusiva desta mas poderá certamente dizer respeito às éticas de todas as religiões do mundo. Históricamente falando - com particular incidência nos acontecimentos que marcam o mundo contemporâneo - é em nome de religião e por vezes de antagonismos entre religiões que  tem se tem vindo a praticar actos que traduzem o velho brocardo anti-civilizacional e deshumano  de "homo homini lupus". O problema não reside pois na religião mas na adopção de um "behaviour" que vá de encontro à salvaguarda da dignidade e solidariedade humanas - valores perenes em que afinal é suposto qualquer religião assentar. É mesmo temerário relacionar a ONU com uma dada religião ou erigi-la  como palco para uma manifestação do género venha de onde vier.  Por isso, entendo que, o acto de benzer formuladado pelo seu actual Secretário Geral é no mínimo despropositado.
                 É de elogiar a promessa e o compromisso do Sr. Secretário - Geral na sua pugna pela PAZ. Mas é isto que já há muito tem constituído a preocupação dos povos do mundo inteiro. A afirmação não constitui pois qualquer novidade; o que importa é a sua realização no terreno. Partindo do princípio de que não se trata de afirmação de mera circunstância, tantas e tantas vezes proferida, era de esperar que fossem indicadas pelo menos genericamente as vias para a concretização deste objectivo da humanidade. Ora estas vias é que ninguém sabe nem conhece. E não é preciso ser muito erudito para que se entenda que para começar é básico pôr termo ao prospecto de beligerência ou dito de forma mais simples, tentar pôr termo à permanente ameaça de guerra e de guerras em curso. Paz tem muitos sentidos, entre os quais - a paz armada, a pax romana, ou paz pela exportação de guerra -; mas antes e acima de tudo  paz, no presente momento que o mundo atravessa é e tem de ser simplesmente sinónimo de ausência de guerra. São bem conhecidas, por sua vez, as diversas facetas que a problemática da guerra comporta - desde interesses económicos, passando pela ambição dos militarismos até indústria da guerra. Mas não é isto que está ora em consideração. Estará o Sr. Secretário Geral da ONU disposto a declarar expressamente a condenação de guerra, venha ela donde vier? Sem esta garantia temo que os propósitos de paz, por mais devotos e sinceros, pode não passar de uma mera intenção de bons propósitos, à semelhança das afirmações e promessas políticas, belas ao serem proferidas, mas ocas de conteúdo prático. E até aqui estamos conversados.                  

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

O Homem de Arouca - o Bebé de Ourém

A criança entregou-se à polícia, depois do seu desaparecimento de 48 horas. É enternecedor ver fotos de três profissionais sorridentes (o que é pouco vulgar)  da GNR, um deles com a criancinha ao colo, felizes por a terem encontrado. Já o mesmo se não poderá dizer do homem de Arouca. Este anda a monte há mais de duas semanas, neste Portugal pequenino, apesar de equipas numerosas e devidamente preparadas da GNR e da PJ andarem à sua procura. O homem nem se entrega nem é encontrado. 
Dá que pensar. Diga-se à partida que ninguém põe em causa a formação e a capacidade das nossas forças policiais. Porém neste específico caso pode bem equacionar-se o porque das coisas.Falou-se primeiro de falta descoordenação, o que foi logo desmentida. Então do que se trata: - ineficácia? - incompetência? O que não falta porém é o amplo noticiário que se tem seguido nos órgãos de comunicação social - ela é a GNR a apreender dezenas de toneladas de droga; é a PJ a ter que lidar com centenas de desaparecimentos de pessoas; é a PSP e a PJ a fazer buscas num bairro da cidade em Coimbra são os responsáveis superiores das polícias que dão conta amiúde das aturadas actividades encetadas no exercício da função; são as armas que se apreendem, e assim por diante.
 
Já deixei claro que a polícia não tem de se justificar. Ela vale pelos resultados que apresenta em matéria da segurança interna. Basta diz que este insucesso policial tem gerado, não direi pânico, mas um profundo medo por parte da população local. Note-se que não estamos perante um caso de investigação mas de perseguição através de um aparelho montado para prender um presumível criminoso que anda por aí. Chega-se a aventar a hipótese do fugitivo ter apoios locais, por onde passa (se é que passa).
 
E é aqui que a problemática assume um aspecto que merece atenção. É o facto da população se empenhar também na sua própria defesa, tendo por interface a que é uso chamar-se policiamento de proximidade. Já há anos que tenho vindo a suscitar este aspecto formativo em matéria de segurança de populações, mas em vão: ora, pelo desinteresse político, ora, pela própria oposição das forças de segurança  que entendem  ser  capazes e suficientes neste domínio. Vê-se. Outros há que temem tratar-se de milícias populares. Se assim fosse, países como a Inglaterra, Austrália, USA, França, Holanda entre outros, onde existe este tipo de policiamento teriam que estar abrangidos por este eceio.
O policiamento de proximidade (community policing - nos países anglo-saxónicos e policiamento de proximidade nos países mediterrânicos e alguns do norte de Europa) tem de ser um projecto nacional a dimanar da Assembleia da República. Este tipo de policiamento tem de ser fomentado pelas comunidades locais. É um anacronismo e improdutivo quando este tipo de policiamento parte como iniciativa da própria instituição policial - é o que acontece no nosso país. Por isso inexiste um policiamento de proximidade em Portugal apesar de entidades de segurança a ele fazerem alusão. Houvesse este tipo de policiamento e a população de Arouca e das redondezas não teriam que passar por esta desilusão e trauma.  

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

OS PASSOS DE LAMENTAÇÂO DO DR: PASSOS

Passos é popularmente a designação dada a celebrações da Quaresma. É quando Cristo percorre o caminho com a cruz às costas, cristãmente designada pela via sacra no caminho de Golgotha.
Fazendo simbolicamente uma comparação, já aqui foi dito que é perfeitamente compreensível a lamentação do Dr. Passos Coelho ao ver simplesmente ser-lhe retirada a governação do país, apesar do seu partido ser o mais votado. É a democracia, pois que mesmo que assumisse o poder, corria o risco de não fruir de uma maioria  parlamentar para as suas iniciativas de política de austeridade como ficou demonstrado. Paciência. Porém, como leader de oposição, tinha pois o ónus de criticar e chamar atenção para os aspectos negativos da actual governação com vista a que melhorasse a sua forma de actuação, sendo caso disso.
Ora, no actual panorama, independentemente da ideologia que se perfilhe, a verdade é que se tem assistido a uma situação de descompressão socio-política, onde pelo menos se vai vendo e sentindo  na prática paulatinos esforços da alguma melhoria na vida dos portugueses. 
Porém, e enquanto leader do maior partido de oposição, o que se tem visto lamentavelmente é a reiterada prática no sentido de fazer afirmações, aliciamentos e quase-apelos para o desinvestimento, numa tentativa de torpedear e desmotivar o investimento em Portugal apenas porque o rumo que está a ser seguido é contrário à sua linha política, com suporte em dois partidos da esquerda, o BE e o PCP. À parte a similitude deste seu gesto com o velho papão do tempo do salazarismo, é caso para se indagar: afinal onde está o empenhamento patriótico deste leader político, no sentido de ver melhorada a sorte vivencial dos portugueses?