quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Carta aberta de um cidadão do mundo - ao Presidente Trump

 

Carta aberta de um cidadão do mundo - ao Presidente Trump

Excelentíssimo Senhor,

Esforço-me para superar a dificuldade em me pronunciar sobre o atual estado de coisas que caracteriza o mundo em que vivemos.

Subscrevo esta carta pela autoproclamação de V.Exª, aliás mundialmente reconhecida, como o governante em condições de contribuir para os alicerces de uma nova ordem mundial, eliminando, à partida, a base de conflitualidade, marcada pelo velho brocardo “homo homini lupus”.

 Os meios de comunicação social, esgotaram praticamente tudo o que era possível divulgar e comentar sobre a situação marcante deste mundo, qualificando e criticando (quanto baste), nem sempre em formato abonatório, o procedimento dos líderes políticos responsáveis, pelo contexto, em nada civilizado, no qual povos e nações prosseguem a sua penosa caminhada.  

No presente momento, dois grandes conflitos armados, em jeito de guerra, ditam um generalizado sentimento de instabilidade vivencial. V. Exª tem uma perfeita noção da gravidade do momento, tendo já manifestado por uma postura de vincada sensibilidade humanista relativamente a um deles – o da Ucrânia -. Falou de milhares de vidas humanas que a guerra vai inutilmente ceifando, sendo notável o apelo feito ao Presidente da Federação Russa para poupar a vida de milhares de militares ucranianos cercados pela tropa russa em Kurtz. E aqui reside a essência do sentir político de V. Exª, pois sem vida humana não há negócio que resista.

Porém, em Gaza, assiste-se a uma inversão deste postulado, praticado pelo Governo de Israel e as suas Forças Armadas, numa atuação em roda livre, ceifando dezenas de milhares de vidas humanas, reportadas a civis palestinianos, paradoxalmente invocando a cumplicidade e o apoio dos EUA.   

E aqui reside o nosso envolvimento, liberto de ideias preconceituadas ou reservas mentais, de cálculos economicistas ou negócios ocultos, de críticas acérrimas ou de manifestações mensageiras - tudo ações, as quais, sem prejuízo das dinâmicas que as inspiram, não têm tido a potencialidade para travar esta atrocidade.

É porque este apelo a V. Exª? É o respeito e confiança na ideia-força que V.Exª. enquanto Presidente dos EUA parece querer transmitir no sentido de pôr termo à guerra e impor um entendimento entre povos e Nações - a via certa para o lema “Make America Great Again” e para o respeito e credibilidade do povo americano que V.Ex.ª representa.

Lisboa – 31.03.2025        António Bernardo Colaço

sábado, 21 de fevereiro de 2026

TRUMPISMO- o maquiavelismo na época contemporânea - O QUE FAZER?

 

TRUMPISMO- o maquiavelismo na época contemporânea

                                        - O QUE FAZER?

Donald Trump afirmou que "Cuba não conseguirá sobreviver", ao assinar, em 29/01/2026, uma Ordem Executiva impondo novas sanções tarifárias aos países que fornecessem petróleo a Cuba.  

Essa declaração apresenta um contraste evidente em relação à postura anteriormente adotada por Trump, que aparentou um certo humanismo perante a guerra Rússia-Ucrânia e destacou o desfecho do conflito Israel-Palestina, chegando mesmo a manifestar a este respeito, interesse na candidatura ao Prémio Nobel da Paz (aspiração posteriormente reconhecida através da distinção que a Corina Machado lhe atribuiu!).

Não deixa de ser positivo o propósito de pôr termo a essas duas agressões, numa aparente manifestação de respeito pela dignidade humana em toda a linha. Sabe-se, no entanto, que estes dois conflitos tiveram e continuam a ter subjacentemente todo um apoio logístico/militar dos EUA. Se, todavia, Trump enveredou recentemente pelo caminho de retração conciliatória é porque, no 1º caso a Federação Russa tem demonstrado uma indesmentível superioridade, e no 2º, o facto das forças democráticas por esse munto fora se terem manifestado contra a destruição e o genocídio levado a cabo pelo governo de Israel e sua Forças Militares. Subjacentemente, como aliás, tem sido realçado pelos falcões governativos americanos J. Vance e M.Rubio, lógico é que América tire um certo lucro dos gastos efetuados, como as terras raras na Ucrânia e o os lucros de reconstrução e da Riviera em Gaza.

Vem à laia referir que, é neste enquadramento que a União Europeia (EU) acabou por ser vítima da sua incúria política, de ambiguidade comportamental e seguidista à gesta americana. Da guerra da Ucrânia, longe de procurar alcançar vias de negociação política e diplomática, fomentou a intensificação da guerra, esgotando milhares de milhões de euros em empréstimos destinos à guerra. Por outro lado, alheou-se do conflito em Gaza, silenciando os valores de liberdade, do direito internacional e dos direitos humanos, nunca condenando as atrocidades praticadas contra o povo palestiniano.

Sucede porém que, numa altura em que se assiste mundialmente a campanhas e  movimentos populares no sentido de paz e diálogo entre os homens e as Nações, surge o MAGA, de autoria do Trump, e que se tem revelado como um expediente chauvinista manhosamente engendrado através de expedientes para alcançar a riqueza à custa, ora de exploração económica de outros países, ora desrespeitando as normas do direito internacional e da soberania de Nações, ora, hostilizando a dignidade de organizações internacionais. Casos como o da exploração da Faixa de Gaza, das terras ricas de Ucrânia, o rapto do Presidente Nicholas Maduro, o aprisionamento de petroleiros estrangeiros, a pretensão à anexação da Gronelândia, a provocação ao Irã, a subalternização e desprezo dirigido à União Europeia, a saga das tarifas alfandegárias, O Conselho de Paz sobre Gaza a substituir a ONU, e mais recentemente o desumano embargo de petróleo contra Cuba, são exemplos a ponderar.

Aqui se evidencia o maquiavelismo da gesta do Trump, já que parece não poupar esforços para atingir seus objetivos (fins justificam os meios), adotando práticas políticas marcadamente autoritárias e repletas de contradições. De facto, o mínimo de bom senso indica que não se pode defender a paz enquanto se cria focos de instabilidade política, ameaças de belicismo, desacreditando organismos como a ONU e tentativas de sufocar populações.

Em pleno século XXI, resta, isso sim, afrontar esta nova ordem mundial engendrada pelo governo dos EUA, que mais não visa senão alcançar os seus propósitos num formato não compatível com a prática diplomática do diálogo e de negociação. Anote-se a este propósito que, os países componentes do BRICS, titulares de economias florescentes e com estatura suficiente para rivalizar com América, tem estado à altura dos seus objetivos, quais sejam o do desanuviamento bélico, de desenvolvimento económico e de um relacionamento amigável entre as Nações.  Tudo aconselharia por isso, que a EU e outros países da Europa, se autonomizassem da suserania americana, contribuindo decisivamente para a defesa de valores paz, de liberdade, de democracia, de bom entendimento entre as Nações que tanto prezam, mas cuja prática, até agora, fica muito a desejar.

Lx- 18.02.2026               António Bernardo Colaço