TRUMPISMO- o maquiavelismo na época contemporânea
- O QUE
FAZER?
Donald Trump afirmou que "Cuba não conseguirá
sobreviver", ao assinar, em 29/01/2026, uma Ordem Executiva impondo novas
sanções tarifárias aos países que fornecessem petróleo a Cuba.
Essa declaração apresenta um contraste
evidente em relação à postura anteriormente adotada por Trump, que aparentou um
certo humanismo perante a guerra Rússia-Ucrânia e destacou o desfecho do
conflito Israel-Palestina, chegando mesmo a manifestar a este respeito, interesse
na candidatura ao Prémio Nobel da Paz (aspiração posteriormente reconhecida através da distinção que a Corina
Machado lhe atribuiu!).
Não deixa de ser positivo o propósito de pôr termo a essas duas
agressões, numa aparente manifestação de respeito pela dignidade humana em toda
a linha. Sabe-se, no entanto, que estes dois conflitos tiveram e continuam a
ter subjacentemente todo um apoio logístico/militar dos EUA. Se, todavia, Trump
enveredou recentemente pelo caminho de retração conciliatória é porque, no 1º
caso a Federação Russa tem demonstrado uma indesmentível superioridade, e no 2º,
o facto das forças democráticas por esse munto fora se terem manifestado contra
a destruição e o genocídio levado a cabo pelo governo de Israel e sua Forças
Militares. Subjacentemente, como aliás, tem sido realçado pelos falcões governativos
americanos J. Vance e M.Rubio, lógico é que América tire um certo lucro dos
gastos efetuados, como as terras raras na Ucrânia e o os lucros de reconstrução
e da Riviera em Gaza.
Vem à laia referir que, é neste enquadramento que a União Europeia
(EU) acabou por ser vítima da sua incúria política, de ambiguidade
comportamental e seguidista à gesta americana. Da guerra da Ucrânia, longe de
procurar alcançar vias de negociação política e diplomática, fomentou a
intensificação da guerra, esgotando milhares de milhões de euros em empréstimos
destinos à guerra. Por outro lado, alheou-se do conflito em Gaza, silenciando
os valores de liberdade, do direito internacional e dos direitos humanos, nunca
condenando as atrocidades praticadas contra o povo palestiniano.
Sucede porém que, numa altura em que se assiste mundialmente
a campanhas e movimentos populares no
sentido de paz e diálogo entre os homens e as Nações, surge o MAGA, de autoria
do Trump, e que se tem revelado como um expediente chauvinista manhosamente engendrado
através de expedientes para alcançar a riqueza à custa, ora de exploração económica
de outros países, ora desrespeitando as normas do direito internacional e da
soberania de Nações, ora, hostilizando a dignidade de organizações internacionais.
Casos como o da exploração da Faixa de Gaza, das terras ricas de Ucrânia, o
rapto do Presidente Nicholas Maduro, o aprisionamento de petroleiros estrangeiros,
a pretensão à anexação da Gronelândia, a provocação ao Irã, a subalternização e
desprezo dirigido à União Europeia, a saga das tarifas alfandegárias, O
Conselho de Paz sobre Gaza a substituir a ONU, e mais recentemente o desumano embargo
de petróleo contra Cuba, são exemplos a ponderar.
Aqui se evidencia o maquiavelismo da
gesta do Trump, já que parece não poupar esforços para atingir seus objetivos (fins justificam os meios), adotando práticas políticas
marcadamente autoritárias e repletas de contradições. De facto, o mínimo de bom
senso indica que não se pode defender a paz enquanto se cria focos de
instabilidade política, ameaças de belicismo, desacreditando organismos como a
ONU e tentativas de sufocar populações.
Em pleno século XXI, resta, isso sim, afrontar
esta nova ordem mundial engendrada pelo governo dos EUA, que mais não
visa senão alcançar os seus propósitos num formato não compatível com a prática
diplomática do diálogo e de negociação. Anote-se a este propósito que, os
países componentes do BRICS, titulares de economias florescentes e com estatura
suficiente para rivalizar com América, tem estado à altura dos seus objetivos,
quais sejam o do desanuviamento bélico, de desenvolvimento económico e de um relacionamento
amigável entre as Nações. Tudo aconselharia
por isso, que a EU e outros países da Europa, se autonomizassem da suserania americana,
contribuindo decisivamente para a defesa de valores paz, de liberdade, de
democracia, de bom entendimento entre as Nações que tanto prezam, mas cuja
prática, até agora, fica muito a desejar.
Lx- 18.02.2026 António Bernardo Colaço
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