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sexta-feira, 25 de setembro de 2026
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
Carta aberta de um cidadão do mundo - ao Presidente Trump
Carta aberta de um cidadão
do mundo - ao Presidente Trump
Excelentíssimo Senhor,
Esforço-me para superar a
dificuldade em me pronunciar sobre o atual estado de coisas que caracteriza o
mundo em que vivemos.
Subscrevo esta carta pela autoproclamação
de V.Exª, aliás mundialmente reconhecida, como o governante em condições de contribuir
para os alicerces de uma nova ordem mundial, eliminando, à partida, a
base de conflitualidade, marcada pelo velho brocardo “homo homini lupus”.
Os meios de comunicação social, esgotaram
praticamente tudo o que era possível divulgar e comentar sobre a situação
marcante deste mundo, qualificando e criticando (quanto baste), nem sempre em
formato abonatório, o procedimento dos líderes políticos responsáveis, pelo contexto,
em nada civilizado, no qual povos e nações prosseguem a sua penosa caminhada.
No presente momento, dois
grandes conflitos armados, em jeito de guerra, ditam um generalizado sentimento
de instabilidade vivencial. V. Exª tem uma perfeita noção da gravidade do momento,
tendo já manifestado por uma postura de vincada sensibilidade humanista relativamente
a um deles – o da Ucrânia -. Falou de milhares de vidas humanas que a guerra
vai inutilmente ceifando, sendo notável o apelo feito ao Presidente da Federação
Russa para poupar a vida de milhares de militares ucranianos cercados pela
tropa russa em Kurtz. E aqui reside a essência do sentir político de V. Exª, pois
sem vida humana não há negócio que resista.
Porém, em Gaza, assiste-se a
uma inversão deste postulado, praticado pelo Governo de Israel e as suas Forças
Armadas, numa atuação em roda livre, ceifando dezenas de milhares de vidas
humanas, reportadas a civis palestinianos, paradoxalmente invocando a
cumplicidade e o apoio dos EUA.
E aqui reside o nosso
envolvimento, liberto de ideias preconceituadas ou reservas mentais, de cálculos
economicistas ou negócios ocultos, de críticas acérrimas ou de manifestações
mensageiras - tudo ações, as quais, sem prejuízo das dinâmicas que as inspiram,
não têm tido a potencialidade para travar esta atrocidade.
É porque este apelo a V. Exª?
É o respeito e confiança na ideia-força que V.Exª. enquanto Presidente dos EUA parece
querer transmitir no sentido de pôr termo à guerra e impor um entendimento entre
povos e Nações - a via certa para o lema “Make America Great Again” e para o
respeito e credibilidade do povo americano que V.Ex.ª representa.
Lisboa – 31.03.2025 António Bernardo Colaço
sábado, 21 de fevereiro de 2026
TRUMPISMO- o maquiavelismo na época contemporânea - O QUE FAZER?
TRUMPISMO- o maquiavelismo na época contemporânea
- O QUE
FAZER?
Donald Trump afirmou que "Cuba não conseguirá
sobreviver", ao assinar, em 29/01/2026, uma Ordem Executiva impondo novas
sanções tarifárias aos países que fornecessem petróleo a Cuba.
Essa declaração apresenta um contraste
evidente em relação à postura anteriormente adotada por Trump, que aparentou um
certo humanismo perante a guerra Rússia-Ucrânia e destacou o desfecho do
conflito Israel-Palestina, chegando mesmo a manifestar a este respeito, interesse
na candidatura ao Prémio Nobel da Paz (aspiração posteriormente reconhecida através da distinção que a Corina
Machado lhe atribuiu!).
Não deixa de ser positivo o propósito de pôr termo a essas duas
agressões, numa aparente manifestação de respeito pela dignidade humana em toda
a linha. Sabe-se, no entanto, que estes dois conflitos tiveram e continuam a
ter subjacentemente todo um apoio logístico/militar dos EUA. Se, todavia, Trump
enveredou recentemente pelo caminho de retração conciliatória é porque, no 1º
caso a Federação Russa tem demonstrado uma indesmentível superioridade, e no 2º,
o facto das forças democráticas por esse munto fora se terem manifestado contra
a destruição e o genocídio levado a cabo pelo governo de Israel e sua Forças
Militares. Subjacentemente, como aliás, tem sido realçado pelos falcões governativos
americanos J. Vance e M.Rubio, lógico é que América tire um certo lucro dos
gastos efetuados, como as terras raras na Ucrânia e o os lucros de reconstrução
e da Riviera em Gaza.
Vem à laia referir que, é neste enquadramento que a União Europeia
(EU) acabou por ser vítima da sua incúria política, de ambiguidade
comportamental e seguidista à gesta americana. Da guerra da Ucrânia, longe de
procurar alcançar vias de negociação política e diplomática, fomentou a
intensificação da guerra, esgotando milhares de milhões de euros em empréstimos
destinos à guerra. Por outro lado, alheou-se do conflito em Gaza, silenciando
os valores de liberdade, do direito internacional e dos direitos humanos, nunca
condenando as atrocidades praticadas contra o povo palestiniano.
Sucede porém que, numa altura em que se assiste mundialmente
a campanhas e movimentos populares no
sentido de paz e diálogo entre os homens e as Nações, surge o MAGA, de autoria
do Trump, e que se tem revelado como um expediente chauvinista manhosamente engendrado
através de expedientes para alcançar a riqueza à custa, ora de exploração económica
de outros países, ora desrespeitando as normas do direito internacional e da
soberania de Nações, ora, hostilizando a dignidade de organizações internacionais.
Casos como o da exploração da Faixa de Gaza, das terras ricas de Ucrânia, o
rapto do Presidente Nicholas Maduro, o aprisionamento de petroleiros estrangeiros,
a pretensão à anexação da Gronelândia, a provocação ao Irã, a subalternização e
desprezo dirigido à União Europeia, a saga das tarifas alfandegárias, O
Conselho de Paz sobre Gaza a substituir a ONU, e mais recentemente o desumano embargo
de petróleo contra Cuba, são exemplos a ponderar.
Aqui se evidencia o maquiavelismo da
gesta do Trump, já que parece não poupar esforços para atingir seus objetivos (fins justificam os meios), adotando práticas políticas
marcadamente autoritárias e repletas de contradições. De facto, o mínimo de bom
senso indica que não se pode defender a paz enquanto se cria focos de
instabilidade política, ameaças de belicismo, desacreditando organismos como a
ONU e tentativas de sufocar populações.
Em pleno século XXI, resta, isso sim, afrontar
esta nova ordem mundial engendrada pelo governo dos EUA, que mais não
visa senão alcançar os seus propósitos num formato não compatível com a prática
diplomática do diálogo e de negociação. Anote-se a este propósito que, os
países componentes do BRICS, titulares de economias florescentes e com estatura
suficiente para rivalizar com América, tem estado à altura dos seus objetivos,
quais sejam o do desanuviamento bélico, de desenvolvimento económico e de um relacionamento
amigável entre as Nações. Tudo aconselharia
por isso, que a EU e outros países da Europa, se autonomizassem da suserania americana,
contribuindo decisivamente para a defesa de valores paz, de liberdade, de
democracia, de bom entendimento entre as Nações que tanto prezam, mas cuja
prática, até agora, fica muito a desejar.
Lx- 18.02.2026 António Bernardo Colaço
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024
PERIGOS QUE ESPREITAM A HUMANIDADE - O FUTURO DIRÁ
PERIGOS QUE ESPREITAM A HUMANIDADE -
- O FUTURO DIRÁ.
Segundo previsão de astronomia o mundo tem hipoteticamente ainda um espaço temporal de 5 biliões de anos. Por esta altura o Sol, transformado num gigante vermelho deixará de transmitir calor ao nosso planeta. Outras causas longínquas independentes da ação humana poderão perigar o planeta nada havendo a fazer contra este fenómeno. Porém, o metafórico Relógio de Apocalipse, pelo 3º ano consecutivo, marcava 90 segundos para a meia-noite, como o limite temporal para o fim da humanidade, face à ameaça de alteração climática conjugada com o uso do nuclear. (cfr. Bulletin of the Atomic Scientists). .
Neste escrito, cuida-se assim, não do perigo para a humanidade derivado duma causalidade exógena, mas do que pode ocorrer por ação do homem. Pensava eu que o séc. XXI seria a expressão qualitativa de desenvolvimento social, económico e cultural do mundo. Os avanços cientificamente alcançados, as conquistas na tecnologia, a preocupação com a longevidade humana, o impacto da luta pelo reconhecimento de direitos humanos, as manifestações contra a nociva alteração climática, os encontros internacionais visando o desanuviamento de conflitos e surgimento de organizações e alianças entre Nações, pareciam augurar propósitos para uma convivência comunitária sem hostilidade, amante de paz, num contexto em que o diálogo e a diplomacia seriam a base para a solução de qualquer conflitualidade entre comunidades e/ou Nações.
Porém, a realidade que presentemente se vive contradiz a bondade da expectativa criada. O mundo parece andar às avessas, retroagindo em muito nos propósitos e objetivos que vinha traçando para o bem da humanidade. A máxima " homem, lobo do homem", nunca esteve tão próxima de realização como hoje, fazendo tábua rasa de tudo quanto de positivo foi alcançado para a harmonia em sociedade
Vejamos: O mundo confronta-se presentemente com duas guerras, - uma na Europa e a outra no Médio-Oriente. A 1ª decorre de uma agressão da Rússia contra a Ucrânia e a 2ª da reação do Estado de Israel primeiramente contra o ato terrorista do Hamas, que se degenerou num ataque contra o povo Palestiniano. Os efeitos da 1ª fazem-se sentir na carestia da vida sentida na Europa, enquanto a 2ª acaba de merecer, por decisão do Tribunal Penal Internacional (16.01.2024) a recomendação para Israel se afastar do percurso de genocídio do povo palestiniano pela forma como tem vindo a proceder. Estes dois acontecimentos, as partes neles envolvidas, as motivações que às mesmas subjazem, o ânimo e a forma como se desenrolam e as consequências até agora conhecidas permitem dar conta dos marcadores que irão determinar o provir da humanidade, se os povos, as Nações e respetivos políticos responsáveis não se reajustarem determinando-se e se orientando por valores éticos sociais de convivência humana num mundo que mereça a pena viver.
A mera ocorrência de guerras na atualidade, merece uma profunda reflexão no quadro de relação e convívio entre Nações, tendo por base o significado e o paradigma de vida contextualizado pelas exigências que a evolução da natureza e a formação humana pressupõem. Este processo assume particular relevância numa altura em que a demanda pelo respeito aos direitos humanos assume o ponto mais alto de exigência. "É preciso inventar novas palavras para este universo que faz parecer o mundo orwelliano um conto de fadas. A hipocrisia, a falsidade, a subversão de valores, a desumanidade, o engano, a demagogia, já não traduzem o que se passa nestes tempos de estertor imperialista". Sem questionar a valoração que certas grandezas como a soberania, a integridade territorial ou a autodefesa merecem, impõe-se, no entanto, a indagação sobre os limites da ação bélica, em matéria do estrito respeito pelo direito internacional, pelo acatamento das deliberações de organismos internacionais, nomeadamente a ONU e finalmente quanto à ética que deve imperar na relação social e comunitária.
Militarismo, Religião e Política/Economia, são os 3 vetores que conjugadamente fazem perigar a humanidade quanto ao seu futuro. A) Sem por em causa a existência de um corpo militar e consequentemente uma produção armamentista para efeitos meramente defensivos a nível nacional de cada País, a atualidade tem vindo a demonstrar que o militarismo, tem vindo a afirmar-se crescentemente como fator de desestabilização entre as Nações. Os Blocos Militares, enquanto materialização mais evidente desta tendência, assumem uma postura ofensiva, comprometendo por isso mesmo, a livre escolha de uma Nação, nele inserida, quanto à sua existência como país soberano. Nenhum país ou povo deseja a guerra. A evolução intelectual e anímica da sociedade humana globalmente configurada é adversa a qualquer conflito bélico. A guerra gera destruição, miséria, desgraça, e refugiados, jamais tendo resolvido qualquer problema que se propusesse resolver. O militarismo, enquanto teorização de controlo sociopolítico institucionalizado é responsável pelo permanente estado de tensão que opõem Nações entre si, bastando para tanto uma qualquer motivação para intervenção militar, envolvendo avultados custos a todos os níveis, materiais, financeiros e humanos. Se, por um lado, desfruta da maior parte orçamental do Estado, a verdade é que a indústria armamentista é o maior suporte da força económica do país fornecedor, muitas vezes com fenómenos de corrupção à mistura, face às grandes movimentações de dinheiros que envolve. B) " A religião é o ópio do povo". Proferida isoladamente, a frase soa a rebelião e o anti misticismo. São, no entanto, conhecidos e bem patentes os recentes dados, pouco abonatórios a cerca do intervencionismo das religiões, ora sob a capa de um chauvinismo doutrinário, ora sob a forma de um proselitismo missionário, ora sob a modalidade de um conformismo de vida em sociedade. A este considerando não escapa o Catolicismo (crf. a propaganda contestatária após o 25 de Abril e o monumento de pedras do Muro de Berlim à entrada de Fátima); as variantes do Cristianismo no apoio a candidaturas da extrema - direita); as organizações terroristas islamitas- sic. Daesh; Isis; Talibãs e outros) e as Teocracias, Reinos e ditas, "Republicas" ou Estados Islâmicos do Médio Oriente, Africa e e da Ásia; e ainda a mais recente ativação da "Hindutva", que pretende reduzir toda a realidade social e cultural da Índia com a supremacia do Hinduísmo sobre as outras religiões, nomeadamente o Islamismo e o Cristianismo. O problema da influência das religiões nas sociedades humanas é altamente melindroso e perigoso, já que foge ao controlo racionalizado do comportamento individual ou grupal, A determinante metafísica será sempre aceitável desde que não fanatizada. C) Se a política é a arte do possível, esta nunca deve ser de molde a atentar contra a idoneidade existencial de um regime democrático. Há pelo menos duas formas de o viciar - ora, deturpando o sentido político do social, adotando medidas do liberalismo descontrolado ou seguir a via de libertinagem comportamental, ora, sob a sua cobertura, formatar o autoritarismo político. Qualquer destas posturas é propícia a gerar extremismos de direita ou da esquerda, empurrando as sociedades e Nações para o descontrolo político, dando origem a desmandos, insegurança, formas de xenofobia e racismo sob o disfarçados de patriotismo ou nacionalismo serôdio. Há pois que saber distinguir o trigo do joio. Foi invocando o socialismo que surgiram os autoritarismos, pela via de eleição, personagens como Hitler e Mussolini (mais recentemente o Narendra Modi, Benjamin Netanyahu). Seria caso para perguntar e indagar, se nesta vertente, o eleitor, ao lançar o seu voto, elegendo um determinado personagem político, terá ou não a sua quota parte de culpa no estado a que o mundo chegou.. Não é de descurar os caminhos que vão traçando o rumo a políticas do extremismo da direita, como sucedeu na Argentina (Milei) e ameaça acontecer na Alemanha. Nos EUA, a incoerência da política seguida por Biden, nomeadamente, ao gerar contextos de provocação e de tensão no estreito de Taiwan, sustentando o envolvimento da Nato, designadamente em paragens que nada tem a a ver com o 'North Atlantic' ou apoiando a "legítima defesa" do Estado de Israel, quando este tem n Resoluções do Conselho de Segurança da ONU por cumprir, (esta incoerência) tem vindo a ser ser capitalizada pelo republicano extremista Trump. Neste enquadramento, não passa despercebido que, salvo raras exceções, uma grande parte, senão mesmo a maioria dos responsáveis políticos, está ligada ao grandes empresariado, ou seja ao grande capital, sendo que é à volta desta ligação que gira a vida económico/social, expressa no fenómeno de alta corrupção, envolvendo entre outras atividades, as transferências offshore. Esta contextualização é particularmente gravosa porque sendo quase generalizada, desde a Europa, passando pelas Américas e atingindo Àfrica e o Extremo Oriente, tem ramificações numa grande parte das elites políticas ou economicamente dominantes dos países em desenvolvimento.
O mundo vive inquieto. Aqui chegados, torna-se por isso mister indagar o que falhou e como é possível readquirir material e animicamente o sentido de uma vivência tranquila e feliz. É sabido que nem sempre as coisas correm de feição desejada, mas nada legitima que daí se enverede pela via de conflito e violência. Impõe-se que se respeite a inteligência humana, se considere a atualidade do séc. XXI e a dignidade do direito humano à vida.
O homem é, por natureza, um ser gregário e frui do direito ao convívio e o bem estar. Neste sentido tudo o que contribua para o antagonismo ou o choque entre as Nações, povos e comunidades tem de merecer impiedosamente a nossa rejeição. Este axioma pressupõe à partida, duas determinantes para a ação: *o repudio de blocos politico/militares e de guerra e * a propulsão de confiança entre as Nações. Significa isto, o desencadear de uma ativa frente político - diplomática para o desanuviamento, o controlo e contenção nos gastos de estrutura militar e do armamento pela exorbitância quantitativa que demanda. Neste contexto, atendendo ao importante papel que qualquer religião exerce no seio de uma Nação, é de se ter em conta que a sociedade humana atingiu uma maturidade e uma consciência longe do passado, onde a crença no sobrenatural se confundia com a organização sociopolítica e/ou Estado; quando um monarca só se legitimava com o beneplácito de um chefe religioso. Impõe-se por isso pôr termo a um certo reavivar da barbárie fanatizada do passado. Neste âmbito, cabe aos responsáveis religiosos, onde tal fenómeno ocorre, exortar que os ensinamentos da religião, mais do que controlar ou assumir-se politicamente, apontam basicamente na elevação ética do próprio crente e pela paz entre os homens. Chegados ao séc. XXI, é altura da Humanidade se conciliar consigo própria, enveredando pela via de dialogo e negociação para solucionar qualquer que seja a natureza da divergência de opinião. Trata-se de uma tarefa hercúlea, que além de boa vontade exige uma diplomacia não viciada e políticos impolutos e descomprometidos. A globalização, a facilidade de comunicação e troca entre Nações, vieram determinar parâmetros inovadores para as economias em confronto - a capitalista e socialista. Esta situação acabou por ter influência na relação social e inerentes perspetivas no modo de vida. O que parecia incontroverso há umas décadas atrás, já é ou pode ser hoje posto em causa.
quinta-feira, 31 de agosto de 2023
INTERAÇÃO: Política/Religião - perigos
É um tema melindrosa. As Nações, tal como hoje as conhecemos,
forjaram-se do incessante anseio do homem na busca de um equilíbrio para a sua
vida. Tratou-se, sem dúvida de uma luta, pela sobrevivência ou para conquista do
espaço vital e poder, mas quase sempre à custa de derramamento de sangue, com
pleno cabimento da máxima “homo homini lupus”.
Hoje o homem atingiu uma
maturidade de qualidade apreciável, longe do barbarismo e da incipiente
formação cultural que caracterizou as mentalidades do passado, onde a crendice,
mais tarde a religião se confundia com a organização sociopolítica e/ou o
Estado, quando um Chefe só se legitimava sob o beneplácito de unção de uma autoridade
religiosa.
Hoje, documentos subscritos mundialmente,
como: Declaração Universal dos Direitos do Homem; Carta das Nações Unidas; Convenção
Internacional sobre Direitos Civis e Políticos; Pacto Internacional sobre
Direitos Económicos, Sociais e Culturais; Convenção Europeia dos Direitos do
Homem; Carta Social Europeia, asseguram a existência de Nações, onde a
organização social assenta na materialidade das condições que a natureza
proporciona e a legitimação do poder dimana
da expressão livre de vontade do núcleo populacional a que respeita - “A
Deus, o que é de Deus, a César o que é de César”. Estava dado o passo da
separação entre a Política e a Religião – o prenúncio da natureza laica de um
Estado Democrático.
Ventos preocupantes, estão a reavivar
o retorno à barbárie fanatizada do passado.
É o caso das Repúblicas Islâmicas, do Estado Judaico ou a infusão de encapotada
ideologia nacionalista como a Hindutva na Índia ou ainda do envolvimento da
Igreja Evangélica nas candidaturas políticas de Donald Trump e Jair Bolsonaro.
Por estranho que pareça, a expressão “religião é ópio do povo” virou
atual, no sentido da religião se entrosar com o poder político, gerando
instabilidade social, medindo o Estado e a moral social pelo figurino
religioso, culminando na violação dos direitos humanos e fustigando a
democracia.
Todo o cuidado será pouco se não
se agir a tempo, sob pena de contágios.
18/07/2023
António Bernardo Colaço – Juiz
Conselheiro do STJ - jubilado
Av. De Berlim – Torre 1 – 4º Dtº
- 1800-039 – Lisboa
T: 917321330/218535009.
segunda-feira, 4 de julho de 2022
24.05.2022 – Ucrânia – Três meses antes
quarta-feira, 6 de abril de 2022
O ERRO E A CULPA DE PUTIN
O ERRO E A CULPA DE PUTIN
Desde o início da guerra na Ucrânia, tem sido exuberante a
panóplia de artigos, opiniões, sugestões, pareceres, declarações e comentários
de mais variado timbre, na generalidade condenando o estado bélico a que vimos
assistindo. Os meios de comunicação social, têm, por sua vez, se esforçado para
transmitir a realidade possível deste estado de tensão que afeta as pessoas
amantes de paz, particularmente na Europa.
Três são as linhas de juízo para este entendimento. A
subitaneidade desta guerra; depois, a proximidade do conflito e as grandes e
desastrosas proporções que atingiu e ameaça atingir ainda mais, e finalmente, a
conotação que ainda se faz da atual Federação Russa com a URSS, já inexistente
desde 1991. A Rússia, faz parte, isso sim, da ampla família de estados de
economia liberal da Europa e da América.
Olhando para o mapa da Europa, é flagrante a União Europeia e
alguns países que integram a NATO bordejarem a Federação Russa há anos. À parte
a endógena provocação que constitui a mera existência de qualquer bloco bélico
militar como a NATO, não há notícia de qualquer hostilização direta resultante
deste contexto.
Em 1999, Vladimir Putin, sucedeu a Boris Yeltsin, poder esse,
que ainda hoje mantém. Durante todo este tempo, a Rússia esteve rodeada da EU e
da NATO. Quaisquer motivações que possam ser apresentadas para explicar a
“operação militar especial”, não se descortina, todavia, culpa do povo
ucraniano neste domínio, jamais poendo Putin justificar esta intervenção
militar obrigando famílias inteiras a fuga das suas casas, ora pelo medo, ora pela
sua destruição por bombardeamento.
Em pleno séc. XXI, na fase de evolução em que a sociedade
humana se encontra, a solução da inquietude social jamais pode passar pelo
ajuste de um choque armamentista, com todos os perigos que um tal contexto
comporta, nomeadamente os decorrentes da arma nuclear (mesmo afastada
qualquer intencionalidade do uso “do nuclear”, basta apenas cogitar num
possível erro de estimativa, para avaliar o perigo subjacente numa guerra. É
altura de relembrar Albert Einstein quando cogitava que, se a III guerra
mundial for nuclear, a IV será com calhaus e varapaus).
Nenhum país ou povo deseja a guerra. Sabe-se que esta implica
o uso de armas para matar. Ninguém quer morrer. A evolução intelectual da
sociedade humana globalmente configurada é adversa a qualquer conflito bélico.
Em termos civilizacionais é o diálogo e a diplomacia que imperam.
Mas a tragédia repete-se com a Ucrânia, que nem é mais grave
nem menos grave que a daqueles povos que foram ou continuam a ser vítimas das
ambições político militaristas materializadas em Blocos ou Pactos,
como o foram a Coreia, o Vietnam, o Afeganistão e mais recentemente o Iraque, a
Líbia, a Síria o Iémen, pródigas também em migrações e mortes, envolvendo
mulheres e crianças!
E aqui ressude a grande falha de toda a estratégia político-militar
de Putin, ao descurar, mais uma vez, esta comsequência marcante neste conflito. Mesmo concedendo que se possa tratar
de um dano colateral, a verdade objetiva é que se trata na realidade de uma ação
criminosa contra a humanidade. Nos moldes em que a operação militar russa
se tem desenrolado, se Putin não previu este êxodo, tinha por obrigação
prevê-la, com a necessária antecedência. E a prova disso está precisamente,
na circunstância de só tardiamente, decorridos cerca de 15 dias sobre os
bombardeamentos e já depois de mais de 2 milhões de ucranianos se verem
forçados a procurar outros acolhimentos na base de um futuro incerto, com
destaque para as mulheres e crianças, só então se ter proposto a autorizar
corredores para os deslocados se refugiarem em paragens que desconhecem.
Faço votos para que ainda se vá a tempo de evitar uma maior
catástrofe.
Lisboa- 14/03/2022
António Bernardo Colaço
(juiz-conselheiro do STJ – jubilado)