terça-feira, 27 de outubro de 2015

A PROBLEMÁTICA DA MIGRAÇÃO - Porque só agora ?






                                               MIGRAÇÃO e GUERRA


Ninguém pode ignorar o problema de migração proveniente da Síria e de outros países de estirpe árabe. São aos milhares que assolam Europa em busca, segundo consta de segurança e melhores condições de vida. Sem prejuízo dos problemas que inevitavelmente causam aos países afectados por este fenómeno, (penso na Grécia este que, para além do problema económico de que padece e que tanta agrura tem causado ao seu povo, vê-se agora como o primeiro porto de abrigo dessa migração) acode-me um certo pensamento. E porque é que a América se vê apartada desse magno problema. Porque é que também este pais  não se propôs ainda para acudir as populações que fogem ..... da guerra?
O leitor perceberá a maldade dessa minha pergunta.
Tanto quanto julgo saber e de uma forma simplista, o xadrez no Médio Oriente tem funcionado, na minha óptica da seguinte forma: - América, a UE e Arábia Saudita querem o Assad apeado da Presidência da Síria, alegando que é um ditador!
                                                    - A Arábia Saudita apoia o Estado Islâmico (EI);
                                                    - A América e a UE desdenham o EI;  
                                                    - O EI quer transformar em sultanato o espaço que no passado havia sido ocupado pelos árabes, abrangendo, para o efeito, nomeadamente Portugal e Espanha;
                                                    - O Presidente Assad combate o EI;
                                                    - A origem das primeiras manifestações que conduziram à gestação do EI deve procurar-se na Prisão de Bekka no Iraque onde se concentravam os presos Sunnis feitos prisioneiros pelas tropas Americanas com o apoio da chamada Coligação internacional. (Como nota, a não esquecer há que registar a responsabilidade política e criminal do Presidente Bush e do 1º Ministro britânico Blair, que tem de ser indiciados como autênticos criminosos de guerra que forjaram a ficção de que Saddam Hussain tinha Armas Químicas de Destruição Maciça. Os serviços secretos e o Estado Maior Geral das forças Armadas Americanas tem nisso, culpas no cartório). 
                                                    - América apoia com armamento os opositores políticos de Assad;
                                                    - A oposição política de Assad aliou-se numa 1ª fase aos militantes do EI, visando combater Assad, tal como a América continua a advogar.
                                                    - Face às hesitações da América em combater o EI, a Rússia, através da base militar que tem na Síria, interveio para levar a cabo esse combate.
                                                    - Os curdos através da sua organização independentista KKK também também combatem o EI;
                                                    - A Turquia, que numa 1ª fase se revelou relutante em combater o EI, acabou por intervir, mas como forma para combater a KKK;
                                                    - América critica o envolvimento da Rússia no seu combate contra o EI, alegando que aquela está a atacar os oposicionistas do Assad.


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Foi precisamente em nome de democracia e alegando que Saddam Hussain e Mohamar Khadafi, eram ditadores que ocorreram as guerras e as desestabilizações no Iraque, particularmente entre 2003 e 2011 e na Líbia entre 2011 e 2014, (neste  2º caso tendo mesmo havido a advertência do Khadafi em como se seguiriam lutas tribais geradores de desestabilização local e que foram ignorados). Os resultados aí estão, e a que vimos assistindo ainda hoje. A Primavera Árabe teve os resultados que teve.
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A análise não pode ficar por aqui. cabe estabelecer o fio à meada particularmente no que tange o fenómeno de migração em curso. O respeito humanitário faz com que me escuse, não sem dor, recordar o sofrimento das gentes migrantes. Indago neste ponto apenas, quanto ao direito dos pais ou familiares a sujeitar as crianças às agruras por que têm estado a passar, quando não morrem no percurso da travessia. O fenómeno de guerra é atroz. Elas geram as fugas, pois ninguém deseja viver em insegurança típica e própria da guerra e menos ainda morrer. O resto é controlado pelos arautos de terror e pelos traficantes de meios de transporte, nomeadamente as balsas e barcos.


Tem havido todo o empenho em atribuir o êxodo à guerra na Síria, e se na Síria é, a responsabilidade é do Assad ou porque é um sanguinário ou porque não controla a situação. Neste quadro a 1ª pergunta que me ocorre é: e o que temos nós com isso. A soberania de um povo e de uma nação não é a de ele próprio resolver a situação? Tem sido este o entendimento civilizado e consagrado pelas ONU. Se assim é o que tem a América a ver com isto? nomeadamente apoiando a oposição ao Assad com armasPorque tem Assad que ser apeado, como defende Obama ou Hollande?
No entanto, não alcanço perceber este grande afluxo de fuga, sendo que a grande maioria são pessoas e casais jovens. A natureza súbita desta fuga, é algo que não consigo entender, quando verdade seja dita, tal não sucedeu na guerra do Iraque nem da Líbia. Será que a brutalidade do conflito sírio é algo mais hediondo e de fantasmagórico quando comparado com os outros conflitos recentes da região? Ou haverá um impulso invisível a provocar esse fenómeno? E se assim é, quem o provoca,  e com que objectivo? Será o aproveitamento da guerra para emigrar? Será fugir de uma luta fratricida, por exemplo  - sunnis versus xiitas? E neste caso, será que a fuga é de se atribuir a actos dos defensores do EI? Ou será ainda que, aproveitando da instabilidade gerada pela guerra,  o êxodo se há-de atribuir ao anseio para uma vida  melhor na visão de que a Europa é rica e onde se vive sem dificuldades? São indagações  que importa desmontar.
Prossigamos nesta análise: A Síria  faz fronteira com Turquia, Líbano, Jordânia e Iraque. É certo inexistir segurança em alguns desses países. Com o andar dos tempos, também estes países correrão o perigo de instabilidade.
Assim, qual é a solução, se é que há alguma? É libertar Síria de toda e qualquer ingerência externa, a começar pela América e Arábia Saudita e deixar que o povo sírio escolha em liberdade a sua vivência e o seu  destino.                                         
                                                           

sábado, 24 de outubro de 2015

A GRANDE CAVACADA

  
                      A GRANDE CAVACADA - ainda as Legislativas de Outubro de 2015








Há uns de quem a história fala por feitos bons, de outros por feitos maus, de outras ainda a quem a história simplesmente despreza, não pela bondade ou maldade, mas pela sua inconsequência comportamental no âmbito da sua actividade.
O aspecto relevante digno de realce é a maior abstenção alguma vez ocorrida em eleições - 43% no plano nacional, e 88% em círculos no estrangeiro. A abstenção, significando não participação, reflecte em termos políticos um desinteresse no acto a que diz respeito- in casu- a eleição. Numa interpretação rebuscada ou radical poderia dizer-se que a abstenção significaria "confiança no status quo" ou seja, numa governação com a qual se concorda.   Mas não é assim, porque os factos demonstram o contrário. Na verdade, a afluência ao voto se impunha porque, independentemente ao seu apelo,  era evidente o confronto político que se resenhava com a esquerda a afrontar descaradamente a direita, esta representada pelo Governo PSD/CDS e acolitado pelo Sr. Presidente da República, o economista Cavaco Silva. A abstenção tem assim uma outra leitura - o desencanto da política seguida pelos dois protagonistas acabados de referir; quanto ao 1º, a restrição económica imposta às famílias e o fluxo de emigração entre outros desvalores da vivência social; tratando-se do 2º, a teimosia em desconhecer o sofrimento e o desencanto popular, obcecado por manter uma estabilidade governativa, porventura para o seu consolo e alardear uma presidência calma ou o receio de ser desacreditado perante os mandantes da UE. Há de facto complexos que são difíceis de ultrapassar com certo tipo de personalidades. Eis porque a abstenção, significando desencanto quanto ao funcionamento e descrédito dessas duas instituições políticas - o Executivo e particularmente o Presidente da República - se insere no quadro das respectivas e correspondentes responsabilidade.
Sendo grande a cavacada, é porém significativo assinalar que esses comportamentos institucionais tiveram a virtualidade de gerar a aproximação de partidos tidos como compondo e representando a esquerda em Portugal, fenómeno político que desde há muito não se via em Portugal (e que só uma vez se manifestou no passado, tratando-se na votação no Mário Soares para a Presidência de República contra o candidato da direita. Ficou célebre o simbolismo da recomendação do Álvaro Cunhal no sentido de se votar no Mário Soares, com a cara virada para a esquerda). Este é por isso um facto histórico, que andará sempre ligada à candidatura do socialista António Costa concorrente à da direita representado por Passos Coelho e acolitado por Paulo Portas.
Como nota terminal, importa apenas sublinhar que o Presidente da República, ao indigitar Passos Coelho para constituir governo, como leader do partido mais votado, bem sabendo e estando consciente da componente parlamentar maioritária da esquerda, acaba por prestar um péssimo serviço aos portugueses, atropelou a democracia e corre o risco de ser qualificado como o pior Presidente da República Portuguesa desde 1974, pelo desrespeito à Constituição e a parcialidade com que se movimentou durante o seu mandato. Senão vejamos: i) - Na composição do Conselho de Estado, excluiu conscientemente um representante do Partido Comunista, com assento do parlamentar e que não sendo maioritário, representa umas largas centenas de milhar de portugueses, dispensando assim a sua consulta, pelo que não se manifestou como o Presidente de todos os portugueses. ii) - Confinou o chamado arco de governação a partidos da direita, no que incluía também o PS, demostrando desconhecer um certo sentido da componente e o ideário de esquerda desse partido. iii) Numa altura em que é grande o melindre da situação política resultante das recentes eleições legislativas, sendo uma verdadeira situação nacional para consulta do conselho de Estado, escusou-se fazer uso da prerrogativa constitucional do artigo 145º, e) da Constituição. iv) Despresando o alcance e o significado político actualista do resultado eleitoral tropeçou na ideia de que foi sempre tradicional convidar o chefe do partido mais voltado para constituir governo. Se tal é viável em democracia, esta também demanda que a correlação de forças manifesta e manifestada  é factor que um consciente Presidente de República tem de ter em conta para um convite dessa envergadura. Esperemos que não haja mais cavacada.

As ELEIÇÕES: Algumas notas à sua margem - A ABSTENÇAO e a APROXIMAÇAO DA ESQUERDA.


                                 NOTAS MARCANTES À MARGEM DAS ELEIÇÕES 
                                                                                                              

Face à política do "vá aí, aperta o cinto" a que o Executivo coligado PSD/CDS obrigou o cidadão comum, representando condignamente a "Troika", óbvio é que as eleições legislativas de 04 de Outubro, face aos programas eleitorais apresentados, com destaque ao PSD e CDS (PàF) em coligação, à direita, e ao PS, BE, e CDU (coligação PCP-Verdes) à esquerda, era de esperar que a luta eleitoral seria encarniçada e foi.
Os resultados aí estão. Não vamos entrar no seu pormenor. Os meios de comunicação social e os comentadores disso se encarregaram. Basta apenas atentar e reter o seguinte: i) Sem dúvida que o voto conta. Por um voto se ganha, por um voto se perde. Mas ganha-se e perde-se o que? Tudo depende da finalidade para a qual o voto se destina. Aqui tratou-se de eleição de deputados para a Assembleia da República (AR); por um voto consegue-se eleger um deputado, por um voto perde-se um deputado. Na AR cada Deputado vale o VOTO. É isto que está em causa. ii)- É sabido que o PSD foi o partido mais votado - com pelo menos 86 votos, contra o PS com 85 (cfr. Visão nº 1179). Este confronto numérico de deputados terá sido suficiente para o Presidente da República (PR), encarregar Passos Coelho (enquanto Secretário-Geral do PSD) para formar Governo, o que naturalmente este fará com o parceiro da coligação CDS. É discutível se esta escolha do Presidente terá sido inocente ou isenta ou se respeitou o normativo do artigo 187.1. da Constituição da República. Em meu entender não o foi, por não ter ouvido previamente os partidos políticos representados na AR. Concedo porém que aquele Senhor, teve em conta muito elementar o resultado eleitoral. Ora bem. Em democracia nada deve impedir, à partida, que o partido mais votado forme governo. iii) - Em boa hermenêutica jurídico/constitucional e sobretudo política, as majorações de votação indicadas em ii) nada tem a ver com a componente numérica que as coligações ou os ajustamentos político partidários com incidência parlamentar assinalam. A eleição do partido mais votado é a expressão formal de simpatia de uma parte de eleitorado, podendo não ser a da maioria do eleitorado, já que esta manifestação se dilui na expressão de voto por outros partidos que não o partido mais votado. A conclusão que então decorre em termos de eleitorado em relação às coligações e de compromissos partidários, tem relevo no funcionamento da AR, onde afinal os deputados eleitos tem  a sua sede para expressar a vontade que os votos na sua globalidade legitimaram nas urnas. iv) Se o partido mais votado - o PSD - sente-se capaz de governar, tem de demonstrar esta capacidade. Ora vejamos: Na mira de uma maioria (que inicialmente pretendia ser absoluta) constituiu a coligação PàF e que teve 99 deputados. A AR é composta de 230 deputados. Como se sabe, as maiorias parlamentares, as votações, a aprovação e rejeição de governos e leis, os votos de confiança e de censura são determinados pela forma e modalidade com que os deputados emitem o seu voto. O BE e a CDU já declararam publicamente que rejeitam pura e simplesmente a governação da coligação PàF e asseguram a formação e a governação do país pelo PS. Ora, mesmo assumindo que estão por apurar o resultado de algumas círculos ou mesas eleitorais é sabido que o PS, BE e CDU compõem a maioria de deputados na AR , ultrapassando por isso a formação PSD+CDS. Daqui decorre que as iniciativas de PàF poderão estar sempre em risco de aprovação no Parlamento comprometendo irremediavelmente a ESTABILIDADE, tando presada pelo PR, perigo este que à partida, poderá não acontecer com o compromisso PS/BE/CDU. É esta a lógica, o bom senso e o mínimo de inteligência em todo o sentido da palavra e em todas as direcções, seja da direita seja da esquerda. v) - O que se passa afinal com o PS? Sempre se classificou e qualificou-se como partido de  esquerda. Será que vai falhar na hora de verdade? Ao receber os votos do eleitorado, foi-o pelas afirmações e declarações do seu secretário-geral, António Costa, distanciado de António Seguro e de José Sócrates e depois de assegurar que não votaria o Orçamente da coligação PàF. Reconhecida a insuficiência numérica de deputados da coligação na AR, não pode oferecer indícios de garantia de estabilidade, abrindo a via à esquerda para assumir eleitoralmente a responsabilidade governativa. Para esta seria pois o momento de agir, como está a fazer. As coisas não são porém  fáceis assim. De há muito, sempre se identificou no PS um núcleo, composto de alguns históricos a que se juntaram elementos mais jovens, no sentido de  adaptarem o partido às exigências do domínio político defendendo que tal só é viável fazendo o jogo do capital financeiro mantendo para tanto a aparência democrática e socializante. Mas, como da votação se conclui e acima se demonstrou, não é nesta aparência que a votação nacional no PS ocorreu. A votação no PS processou-se, visando uma melhoria da condição de vivência dos portugueses, envolvendo os salários, as condições de trabalho, as pensões, diminuição da carga fiscal, no emprego e desenvolvimento do país. Por sua vez das declarações das formações políticas que garantem publicamente o compromisso com o PS, não está posta em causa a existência da União Europeia, mas o propósito de uma Europa que seja uma Europa de solidariedade, de cooperação entre Estados que sejam iguais em direitos, se respeite a Democracia e a Soberania. Acresce que, da maneira como as coisas vão andando por esta Europa fora, havendo países que não pertencem à Zona Euro, ninguém nega que a existência do Euro possa estar em perigo. No entanto, uma coisa, é estudar este cenário como possível e estar preparado par o mesmo, outra é defender a saída imediata de Portugal desta Zona, coisa, que não consta estar nos desígnios dos partidos da esquerda. Aliás, não fora este o desígnio, não faria sentido partidos como o PCP ou BE terem Deputados Europeus, e têm-no. Sendo assim, o motivo da resistência e pressão  que se vão manifestando dentro do PS, para que esta não se proponha a formar um governo com o apoio do BE e da CDU, não tem suporte no resultado eleitoral. Só o preconceito, má formação ou desconhecimento poderá explica-las. Esta apreciação poderia ser mais exaustiva, mas chega para a compreensão do fenómeno político a que vimos assistindo. O que não se pode negar é que pela primeira vez, na história da democracia portuguesa, saída do 25 de Abril de 1974, ocorre uma aproximação consciente e séria da esquerda.          
 

terça-feira, 6 de outubro de 2015

AS ELEIÇÕES; DA MAIORIA ABSOLUTA; O ARCO DA GOVERNAÇÃO E O RESTO



                                                 AS LEGISLATIVAS (2015); DAS MAIORIAS ABSOLUTAS; O ARCO DA GOVERNAÇÃO E O RESTO

A - Por estranho que pareça e a propósito das eleições, ninguém se referiu à atitude do Presidente da República, pela confusão que estas geraram. Pode aventar-se que se aquele Exmº Senhor, não quisesse alterar a data  do acto eleitoral e este  se realizasse em Setembro como o calendário impunha, era plausível que a coligação PSD/CDS alcançasse a  maioria absoluta, já que o eleitorado, a partir do "bem bom" da praia ou do campo, votaria algo aligeirado. Se calhar a própria abstenção diminuiria. Mas enfim, a esperteza do Presidente não resultou.
À parte este considerando brincalhão, seria interessante indagar, quantos deputados cabem ao PSD confrontando-os com o número de deputados do PS na composição da AR. Seria um elemento indicador marcante para saber da "popularidade" da anterior governação. Agora, se da componente - PaF- esta, não dispõe de maioria que ultrapasse a composição maioritária de deputados da esquerda - PS/BE/CDU, óbvio é que numa perspectiva democraticamente coerente, a esquerda pode formar um governo estável, o que um Presidente de República politicamente sério tem de ter em conta.
A predominância e a superioridade da esquerda é dupla, não só em termos de número de deputados como em número de eleitores, e isto mesmo contando com os votos vertidos em partidos sem representação parlamentar.
Contra factos não há argumentos, a não ser a teimosia em não reconhecer a evidência.
B - Certos comentadores - alguns deles, profissionais conceituados - tem vindo a divagar sobre as virtudes maiorias absolutas. É no que o 1º Ministro anterior - Passos Coelho e o Secretário Geral do PS António Costa indulgenciavam para estas legislativas. E por aqui se vê a sua veia democrática. Para estes, nada de maiorias relativas. Para eles a estabilidade só decorre quando há uma maioria absoluta. Dito de outro modo, só sabem ou conseguem governar com maioria absoluta.
Ora, da experiência colhida da governação em Portugal, a maioria absoluta sempre constituiu uma modalidade próxima de poder absoluto, na medida em que permitia e era usada para rejeitar projectos de outros partidos mesmo quando envolvessem interesse nacional ou o bem público. Esta entendimento não implica porém que a modalidade de maioria absoluta seja de repudiar; o que se repudia é quando a mesma é manuseada ou instrumentalizada por uma formação política marcada  por cânones de antidemocraticidade.
C - Responsáveis políticos de mais alto nível, nomeadamente o actual Presidente de República adoptaram a curiosa expressão de partidos políticos do arco de governação.  Nele estariam incluídos o PS; o PSD e o CDS. Começando pelo aspecto formal, indagaria o porque da inclusão do CDS, quando se trata de um partido minineu quando comparado com um PS ou um PSD? Dos quais, é certo o CDS tem sido apenas um servidor? Do ponto de vista material, a expressão é toda ela eivada de inexactidão e antidemocraticidade, já que em democracia nenhum partido pode estar excluído de governar.
É pois profundamente de lamentar que os responsáveis de alto nível político entre neste jogo.

               
             

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

A III GUERRA MUNDIAL



                                     OS FASEAMENTOS DA III GUERRA MUNDIAL


O Papa Francisco, na sua recente visita a Cuba, numa quase dramática alocução referiu à 3ª Guerra Mundial a desenrolar-se por fases - e com razão. Os diversos e os variados conflitos aí estão para confirmar o acerto das sábias palavras - o Afaganistão; O Boko-Haram; as guerras do Iraque, Líbia e Síria; O Estado Islâmico na sua pretensão de reconstruir um antigo Império, onde Portugal também estaria incluído, para mencionar alguns casos.
Numa dimensão algo diferenciada poderíamos incluir outros tipos ou parcelas de guerra ou conflitos, se por estes termos se entender a violação de direitos humanos, e que formam o conjunto para "enriquecer" a III Grande Guerra. E aí teríamos entre outras situações do tipo, bloqueio à Cuba, que contribuiu à debilitação económica do país e sérias dificuldades de vida da sua população, bloqueio cujo fim o Papa suplicou; o apoio camuflado dos EUA à uma oposição interna (ingerência interna na política e vida de um país estrangeiro) ao governo da Síria, quando é sabido que este combate o EI, entidade que América condena, e a sustentação e apoio da Arábia Saudita, país é notório pela violação dos direitos humanos.
Ao fazer esta apreciação, não pretendo aqui (embora já  o tenha feito noutro local) formular  qualquer de juízo de valor (embora assuma este juízo para calibrar a razão correcta ou não dos comportamentos denunciados) e isto apenas para que o leitor tire as suas próprias conclusões.
O Papa está em sintonia com o mundo e as suas populações diversificadas. Ao fazer a denúncia, Sua Santidade afinal acabou por ser o porta-voz dos medos e do desespero que vai afectando e abarcando as pessoas, as populações em geral e nos seus estratos socio-vivenciais em especial. O recente surto de migrantes do mundo árabe pela Europa fora, fugidos na sua grande maioria da da instabilidade generalizada das guerra recentes,e a que se pode bem juntar a desonestidade política existente nos países africanos ( e aqui, neste momento aponto conscientemente o dedo aos actuais dirigentes dos países do continente africano, cujo estado se pode avaliar pelas picadas poeirentas e não asfaltadas) são um vivo reflexo dessa situação denunciada pelo Sumo Pontífice.
Porque continua a existir uma NATO (estranhamente a intervir no Afaganistão) quando o PACTO DE VARSÓVIA inexiste, a URSS e satélites(!) inexiste e a guerra fria não tem a sua razão de ser? (Nota: O Pacto de Varsóvia foi constiuído depois da Nato).
Hoje o prório Presidente da América e o então Chefe do estado Maior Geral das FFAA da América, (cujo nome me escapa enquanto escrevo estas linhas) são os primeiros a reconhecer que todo o belicismo, particularmente no Iraque ocorreu, pela informação errónea da CIA em como existiam armas de destruição massiça. É caro para duvidar! Não se faz guerra à toa! E os militares? Afinal a guerra, particularmente em paragens longínquas é fonte de rendimento, para o pessoal, para a indústria de armamento, também dá para testar novos engenhos bélicos e olear a máquina de guerra. As guerras no Iraque e na Líbia foram também desencadeadas em nome de democracia, contra ditaduras do Saddam Hussain e Muhammar Khadafi, porventura dois dos países árabes semi-laicos, tal como a Siria, actualmente sob fogo. A democracia nestes países, pelo empenho da América e conivência da UE esgotou-se na miserável migração, e na instabilidade reinante a todos os níveis naquele países. 
Mas qual a razão deste belicismo? Raramente se declara o verdadeiro motivo de guerra. Não sou historiador. Mas do que observo e das últimas guerras desencadeadas, podendo começar pela da Korea e culminando pela do Iraque, vejo que o foram por tudo menos para a defesa de liberdade e de democracia. Outros foram e serão sempre os factores determinantes: a hegemonia e o controle territorial, para assegurar a poder sobre as matérias primas e exploração de mão de obra que garanta o o maior lucro possível às empresas, ou seja  e ao capital financeiro.
Estes são os passos por que se tem desenvolvendo paulatinamente as fases da III GG sempre esperançado que alguém ponha cobro a isto. É difícil, mas possível),  
(Noutras intervenções irei desenvolver esta temática guerra)




quinta-feira, 10 de setembro de 2015

AYLAN, os outros e o resto.



                                                             O PEQUENO AYLAN
                                                           (e onde também se falará
                        da GRÉCIA; MIGRAÇÕES, MERKEL e da GUERRA e outras coisas)

Quando alguém anda de costas viradas ao mundo ou com cara de poucos amigos ou simplesmente triste utilizo por vezes uma frase redigida em termos jocosos - "La vie é belle; les hommes dãm cab del". No fundo a expressão  contem dois ingredientes, um de alegria; outro no sentido de que não sabemos ser alegres.
O que acabo de dizer é simplesmente a reflexo da enorme dificuldade que tenho em começar com o que pretendo transmitir; para exteriorizar o que perpassa o meu consciente e o meu saber, perante o que vejo, o que ouço dizer, o que fazem, e depois ....os personagens envolvidos pegam, numa coisa, num episódio ou num acontecimento, analisam-no isoladamente até ao tutano, e ficam por aí "a carpir mágoas ou tecer elogios", tirando os efeitos e consequências mais convenientes (e eventualmente inconvenientes para outros).
E no entanto, bem se sabe que no mundo dos homens nada acontece por acaso, e as coisas estão interligadas, sempre numa relação de causa e efeito. E o mais interessante de toda esta fenomenologia é que as consequências das acções praticadas são conhecidas e mesmo assim se persiste na causa, para depois - como acima referi - isolar o fenómeno e explora-lo até ao máximo para servir os interesses do explorador.
Vou tentar explicar-me melhor:
Que relação existirá entre o caso do AYLAN e a luta dos Tutsis e Hútus? Entre as lágrimas da Merkel face aos migrantes da Síria e a "guerra" da Troika para derrubar o Syriza, eleito democraticamente? Como justificar a situação de um quase nulo desenvolvimento infraestrutural de uma significativa maioria de países africanos após anos de independência e governos aí instalados que se proclamam de democráticos?
Existirá alguma ligação entre a migração que assola  Europa e o afã histérico pelas primaveras árabes, a guerra de Iraq, a destruição da Líbia, o Estado Islâmico e os bombardeamentos na Síria? O que e que as guerras, a conflitualidade religiosa, os golpes de Estado e os permanentes estados de tensão entre países tem a ver com o tráfico de droga, o petróleo, os diamantes ou a posse ou o controle de outras matérias primas?
É altura de regressarmos ao ponto de partida. As migrações são uma consequência. Este fenómeno relaciona-se sem sombra de dúvida com o factor (próximo) que envolve, como já deixamos claro,  o intervencionismo bélico a que assistimos no passado recente e continuamos ainda a assistir. Estas guerras tem sido sustentadas alegando razões como as de evitar ou combater o alastrar do comunismo; ou para defender ditaduras ou fazer regressar a democracia, sendo que a questão predominantemente se levante relativamente a países estratégicos ou ricos em matéria prima, ou ainda para beneficiar de uma mão de obra barata. No fundo do que se trata é de satisfazer os anseios de exploração dos grandes grupos económico-financeiros. Para este efeito, o capital, que não tem fronteiras e é capaz de vender "a alma ao diabo", engendrou um sistema apelidando-o de democrático, mas que funciona só em seu favor - ou seja, uma democracia formal. Os governos que então são "eleitos", onde o voto conta, é certo, mas onde também subjaz uma grande dose de manobrismo político e preconceituoso contra sistemas que afrontam a dinâmica capitalista (vide caso Syriza, na Grécia). Decorre assim que o governo ou as formações políticas saídas das eleições sejam aqueles  que os grupos financeiros querem. É dos livros que o capital financeiro precisa de terreno para se expandir. Daí a necessidade de conquistar espaços e mercados. E...auferir lucros e auferir lucros. Diga-se de passagem que não se trata apenas de lucros que se poderiam dizer ajustados à actividade desenvolvida, mas lucros que ultrapassam de longe as mais valias e cada vez maiores, onde a o humanismo é uma quimera. Daí a guerraEstas guerras tem sido fomentadas ou realizadas pelos EUA, através do mecanismo da NATO (o pacto de Varsóvia inexiste) mediante o  beneplácito, consentimento ou participação da União Europeia. Esta é a realidade dos factos. A Europa está a pagar por esta sua diatribe e falta de personalidade política.
Esta conflitualidade tem sido exportada e distribuída pelos continentes. Sem se referir à historiografia de guerras, basta dizer que agora coube à Europa arcar com as suas consequências, com inevitável reflexo na vida dos povos que a habitam. Outra é a questão de solidariedade e humanismo que ningém põe em causa. Os crocodilos que fiquem porém com as suas lágrimas.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

INCÊNDIOS

                                                            incêndios - incêndios - INCÊNDIOS

  A lógica do título parece invertida. Portugal é um país de reduzidas dimensões, infelizmente pródigo em incêndios na época de verão. Tendo em conta os milhares de hectares que se vão dizimando em cada ano, a lógica indicaria que por cada ano que passa menor fosse a área dizimada, por menor ser a quantidade de floresta (restante) disponível. Mas não é assim. Portugal é um país florescente, com vegetação exuberante e cada vez mais crescente, e...... corporações de bombeiros para todo o serviço - (que, pensa-se fica) -sempre satisfeitos com um pequeno elogio ministerial - e quando a proporção das fogueiras ultrapassa o sustentável ou o mínimo desejável, lá aparece a detenção de um incendiário, que até há pouco tempo se confundia com um doidinho ou mentecapto de trazer por casa!

É esta a sensação e a imagem com que e fica saída da reunião qua a Srª Ministra de Administração Interna; professora de Direito, terá tido, salvo erro no dia 13 de Agosto para fazer balanço do grande número de incêndios ocorridos, elogiar e consider a acção governativa positiva dado o bom trabalho dos bombeiros.

Pelo caminho fica, o quase sobre-humano sacrifício desses mesmos bombeiros, dos milhares de populares a coadjuvá-los,  as mortes ocorridas por falta de meios que podendo e devendo ser-lhes atribuídos, nunca o foram, as populações inseguras ou em pânicos, algumas habitações atingidas pelos fogos, e o desprezo quase total pela limpeza das matas. Ah! É verdade, não faltam os habituais e anuais comentários, do que se devia fazer e não se faz. Até para o ano.