segunda-feira, 4 de abril de 2022

PLANETA TERRA- Sete(7) Condições INTERCOMUNICANTES para a sobrevivência (habitabilidade) da humanidade.

 Título: PLANETA TERRA - Sete (7) Condições INTERCOMUNICANTES para a sobrevivência (habitabilidade) da humanidade.

Autor: António Bernardo Colaço.

Profissão: Juiz-Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça – Jubilado

Endereço: - Avenida de Berlim – Torre 1 -4º Dtº - Olivais -  1800-039 Lisboa – Portugal

                   - e-mail: pimentelcolaco@gmail.com

Conteúdo: - Estudo da forma compósita na abordagem da questão supra titulada.

 Destino: - informação 

                 - Publicação permitida e autorizada.               

Data: 30/0172022

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                                                             PLANETA TERRA

                       Sete (7) Condições INTERCOMUNICANTES para a sobrevivência (habitabilidade) da humanidade

 

Breves notas sobre o conteúdo e a finalidade do escrito. 

Assiste-se presentemente a uma movimentação intensa, diria mesmo sem precedentes, das populações para evitar a exterminação humana e o perigo de um descalabro do Planeta Terra.

Subjacente a esta materialidade, estão os sentimentos de insegurança, a instabilidade de vivência, o sofrimento das nefastas condições materiais do quotidiano, a inexistência de confiança num melhor futuro e particularmente uma crescente tendência para a desumanização.

 – “Homo homini lupus” parece ser o lema. A isto, contrapõem-se as promessas mirabolantes por um mundo melhor, mas que nunca conheceram realização prática e as boas intenções de estilo, que, de antemão se sabem, a nada conduzem.

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São conhecidos congressos, cimeiras, acordos, pactos, conferências e outras movimentações do género visando tornar o Planeta Terra mais habitável. Sabe-se também que, há mais de uma década, pouco de positivo se tem alcançado para este objetivo. Mas promessas não faltam, como também não faltam os protestos a comprovar a vaguidade daquelas realizações e a sua quase nula valia. E porquê?

É que na sua grande maioria, cada participante nestas realizações, está limitado pelas orientações que leva do respetivo governo. Assim, mais não faz senão representar a carga político-económica ao nível nacional – é o mesmo que dizer que, tudo se esgota na defesa da produtividade industrial num contexto de acesa competitividade económica. Resumindo, a política de “fumos densos de altos fornos das fábricas” sobrepõe-se quando confrontada com a defesa do clima.   

O presente trabalho não irá mencionar nomes de personalidades a assacar responsabilidades, gesto que, está comprovado, a nada conduz. Estas não passam afinal de meros servidores de ideários criados visando alcançar metas que satisfazem objetivos a satisfazer conjunturalmente. Por isso, se a responsabilidade é de todos, ela envolve particularmente os que detém o Poder. De igual jeito, parte-se do princípio que, os fenómenos que dilaceram e põem em causa a estabilidade da vida nos diversos países, sendo sentidos correspondentemente, são por demais conhecidos do cidadão do mundo – tanto por aquele que sofre, como por aquele que assiste aos mesmos impotente para os obviar. O cidadão do mundo, sabe, a proveniência do mal e a quem o atribuir. Qualquer menção a ser feita a este propósito, sê-lo-á apenas a título meramente argumentativo.     

O objetivo deste trabalho não é, pois, acusar, mas procurar resolver o nefasto, tornando a vida mais apetecível de se viver, onde quer que se viva. 

A questão-base que se coloca reside na iminência da destruição de pressupostos em que assenta a sobrevivência humana e a utilidade, senão mesmo a existência do planeta Terra tal como a desejamos.  A prática paulatina e gradual de atos de destruição, não obstante os

 

pedidos e recomendações para a sua contenção, prossegue progressivamente e impiedosamente, a olhos vistos. Os seus efeitos devastadores vão sendo sentidos ao longo do quotidiano da vida humana, acenando a destruição final daqui a umas décadas, se não se travar aqui e agora esta sanha destruidora.

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Estamos na 3ª década do século XXI e tudo o que é feito e praticado é-o invocando a Democracia e a Civilização – uma proclamação quase unânime das Nações. Mas a verdade é que nada de quantitativamente com significado, correspondente àqueles valores é realizado. Tudo fica pela rama, no plano de propósitos e/ou de promessas. Se se quiser e para dourar a pílula, dir-se-á que por cada gesto aparentemente conducente a contrariar o fenómeno de destruição geram-se em simultâneo n situações a neutralizar o feito.

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É do sistema. Mas que sistema? O ditado pelo Capitalismo? Pelo Socialismo? Ou pela simbiose dos dois? É sabido que tanto um como o outro são sistemas económico-financeiros para gerir sociedades humanas formatadas em Nações. Teoricamente ao primeiro seguir-se-ia o segundo, mas a realidade atual do mundo, apresenta-nos um quadro em que i) os dois coexistem, e, ii) pese embora com tonalidades e cambiantes variáveis de país para país.  

Deste contexto estrutural conjeturou-se uma divisão do mundo em 2 blocos – o capitalista e o socialista, baseado nas apetências de predomínio de natureza económica, constatando-se presentemente uma majoração numérica do primeiro. Esta é a realidade com que ainda hoje se continua a deparar. Poderia não ser assim, se cada país se confinasse ao desenvolvimento económico da sua própria gente, numa partilha racional do excedente da sua riqueza com os demais países. Mas se assim fosse que utilidade ou qual seria necessidade para a existência da política de Blocos?

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Na atual fase do desenvolvimento mundial, esta ficcionada existência de Dois Blocos, assente no predomínio económico está estigmatizada por uma vertente política, do que resulta um permanente estado de tensão bélica – única forma de animar a produção económica, nomeadamente a rendosa indústria de armamento.

No propósito para fundamentar este estado de coisas, não faltam teorizações de mais diversa índole para maximizar perigos que não passam de pormenores adminiculares ou para justificar o injustificável.  

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 Por todo o lado pululam movimentações e protestos contra a instabilidade vivencial que afeta todos os países do mundo. As populações vivem em constante insegurança e tensão emocional, pela contingência produzida pelos reais conflitos regionais e a ameaça de guerra que podem inesperadamente surgir em qualquer ponto do mundo.

 

 

 A máxima “homo homini lupus “, nunca esteve tão sorrateiramente a fustigar a vida humana como agora.

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Em termos globais a Natureza, aparte os seus ajustamentos de estrutura universal, limita-se a acompanhar a estultícia humana, registando apenas as suas consequências, que cedo ou tarde far-se-ão sentir, segundo o prognóstico de cientistas.    

                                                            

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O QUE FAZER? Eis a questão.

O problema de defesa do Planeta e, mais explicitamente, da sobrevivência humana com dignidade, depende, em nossa ótica, de um conjunto de fatores ou condições que passaremos a abordar sinteticamente. Até agora, tem-se assistido à abordagem dos mesmos, individual ou isoladamente, perdendo-se a imposição de uma abordagem compósita, que é essencial para um entendimento mínimo desta complexa questão.

Como já referimos (e tornamos a insistir), neste processo de apreciação iremos fugir à tentação de qualquer menção ou crítica quer às organizações, quer a realizações quer às personalidades ou entidades, envolvidas nesta problemática, pois o que se pretende é não demolir ou afastar, mas alcançar uma postura proativa na resolução dos problemas que afligem a humanidade ameaçada, de todos abundantemente conhecidos.

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O trabalho assenta em simples traves -mestre, que visam fundamentar o tão desejado êxito das tentativas por um mundo mais digno para ser habitado, mais solidário na verdadeira aceção da palavra, mais humano. Obviou-se a referência estatística, por se tratar de um elemento facilmente captável através de publicações disponíveis.

Ao optar pela infusão de ideias-força, evitando considerações acrescidas e marginais, procurou-se deixar a cargo do destinatário – entidade política responsável ou o leitor – o ónus de meditar sobre cada frase, extrair o seu sentido em conformidade com a sua formação cultural e sentido de ética social, aferir as consequências dos ‘feitos’ até agora alcançados e traçar o rumo para o futuro da comunidade universal. No entanto, será fácil e frequente localizar as contradições da atividade dos responsáveis políticos, mas em simultâneo, vislumbrar o indicador que pode decisivamente contribuir para repor um convívio saudável entre os povos que habitam o mundo.    

 

Dada a complementaridade ativa das ideia-força, apreciação e análise das quais se segue, o destinatário, irá encontrar referências repetidas a aspetos, contextos e fenómenos. Ao seguir uma tal metodologia, visou-se apenas dar realce a intercomunicabilidade entre as atitudes que se impõem envolvendo ações que só resultam no formato conjugado e nunca isoladamente.      

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                  1) EXTINÇÃO DOS BLOCOS (BÉLICOS) MILITARES.

A constituição de Blocos Militares assume uma natureza provocadora, fomenta um permanente estado de tensão política regional ou mundial.  

Sem jamais pôr em causa a existência de um aparelho militar e consequente produção armamentista para efeitos meramente defensivos a nível nacional de cada país, sublinhe-se que na atualidade, qualquer Pacto Militar assume uma postura ofensiva, arrastando por isso mesmo a livre escolha de um país nele envolvente quanto à sua existência como país soberano. 

Nenhum país ou povo deseja a guerra. Esta implica o uso de armas para matar. Ninguém quer morrer. A evolução intelectual e anímica da sociedade humana globalmente configurada, apesar das dificuldades da vida quotidiana, seja onde for, é adversa a qualquer conflito bélico. A guerra gera destruição, miséria, desgraça e refugiados. O passado recente tem demonstrado que nos locais onde a teve lugar, foram precisamente estas as consequências, jamais tendo a guerra resolvido qualquer dos problemas que se propusera resolver.

A guerra ou a sua ameaça passou a ser um negócio, quer pela produção de material bélico, quer pela venda de armamento a outros países. A indústria de guerra é o maior suporte da força económica do país produtor. Assim se entende o envolvimento das administrações militares e militaristas e a grande indústria privada de produção armamentista. 

A guerra tem, teve e continua a ter uma motivação económica, exibindo, porém, disfarçadamente uma motivação – ética, religiosa, política, ideológica ou de domínio -, para a sua aceitação e para a sua mensagem ser mais apelativa.

A mera existência de blocos militares, assume na atualidade, um autêntico foro de paroxismo. Basta ter em conta os terríveis resultados das suas mais recentes proezas bélicas, espalhando a destruição, gerando migrações e fomentando a fome e exigindo somas astronómicas para a sua manutenção. Eis porque a manutenção ou a criação de novos blocos militares, particularmente

pelas franjas de países economicamente débeis, apenas contribui para uma crescente desgraça das populações delas dependentes.  

Onde reside, pois, o empenho na ficção de Blocos Militares?

À parte a despesa orçamental para efeitos defensivos em matéria militar, deixo ao critério do leitor, imaginar o destino produtivo que poderia ter o dinheiro orçado e gasto para a vertente ofensiva bélica e consequentemente contribuir para a paz e sossego das gentes do mundo.

                         

 

                  2) A FALÁCIA DA TERMINOLOGIA - PAÍSES POBRES e PAÍSES RICOS

Para o efeito em apreço, mais uma vez se sobreleva a vertente económica, não só no plano de exploração substancial como na esfera existencial dos países em causa. Basta simplesmente atentar na resenha fotográfica e nas notícias com que a comunicação social nos vai brindando quase quotidianamente - crianças mal nutridas marcadas pelo signo da miséria, gentes a fugirem

 

do desespero, insegurança de vida e violência geradas no rescaldo de guerras provocadas, movimentos migratórios de destino incerto, para muitos tudo terminando numa esperança malfada ou assassina.

 Nas relações entre muitos países, os fatores geradores da riqueza de uns nem sempre foram marcados pelo signo de reciprocidade – uns enriqueceram à custa de outros, pelo que não há países ricos ou pobres por natureza. Historicamente, a expansão e exploração mercantilista a partir do seculo XV e que viria a degenerar-se no colonialismo gerou as categorias de país dominante e país dominado, materialmente expresso na exploração das riquezas do 2º pelo 1º. Tal acontecimento teve como efeito, o desfasamento completo da estrutura produtiva do país explorado. Os “terms of trade” eram quase totalmente desequilibrados, num processo com a clara conivência das elites locais governativas e economicistas É assim que vemos geralmente estas elites a participar no processo de escravatura e na exploração económica da população autóctone. (a este fenómeno seguir-se-iam os movimentos independentistas, liderados pela burguesia dando origem a Nações, que, salvo raras exceções, adotaram os regimes político-económicos dos países dominantes).

Eis porque a dicotomia - país dominante/ Pais dominado - é a que mais se adequa á realidade hodierna, apesar da ‘independência’ política do país explorado. A questão não se restringe, pois, à riqueza ou pobreza de países. Todos os países são autossuficientes, portanto, ricos.    O que se pode dizer é que à “riqueza” de uns se aditou à “riqueza” de outros, sem que estes fossem devidamente compensados. Refiro-me às matérias-primas, de toda a espécie (desde as especiarias, passando pelo petróleo e pedras preciosas, e gás natural etc.).

Este processo desastroso prossegue, cada vez com mais força, e é preciso pôr-lhe termo. Então sim, equilibrada a balança, resolvidos os problemas infraestruturais, com elites locais descomprometidas, aquele resto de humanidade hoje apelidado de pobre, estará na verdadeira via de desenvolvimento fruindo da sua riqueza.

 

                  3) ELIMINAÇÂO DO ENVOLVIMENTO POLÍTICO DA RELIGIÃO

“A religião é o ópio do povo”. Proferida isoladamente, a frase soa a rebelião. A ideia-força tem de ser, porém, equacionada, no contexto em que foi proferida.  A sua dupla dimensão tem sido ignorada. Por um lado, configurava a religião como um agente, que impelia o crente à passividade, perante a exploração do sistema económico que o vitimava; por outro lado, destacava o papel ativo da religião, num envolvimento político adverso, quando o apelo ao metafísico era subalternizado no processo da evolução social.  

São conhecidos os dados históricos, pouco abonatórios a propósito deste despropositado intervencionismo das religiões. São diversas as formas desta intromissão - ora, sob a capa de um chauvinismo doutrinário; ora, sob a forma de um proselitismo missionário; ora sob a modalidade de um conformismo de vida em sociedade.

Em todas estes formatos procedimentais, a religião tem servido de motivo para legitimar confrontos entre comunidades humanas, fomentar guerras, gerar diferenciações sociais, trucidar a história, desrespeitar outras religiões, tudo culminando no incontestável apoio ao poder político instituído (do momento), por pior que seja, desde que facilite a propagação e o controlo pela “fé”.

O problema da influência das religiões nas sociedades humanas é altamente melindroso e perigoso, já que foge ao controlo racionalizado de comportamento individual ou grupal.

A determinante metafísica será sempre aceitável desde que não fanatizada, já que nesta dimensão é suscetível de gerar atos do mais puro irracionalismo, geradora de instabilidade, diríamos mesmo, de efeito horizontal, na maioria dos países. A situação torna-se mais gravosa quando a influência religiosa é entrosada pelo próprio poder político dando origem a chamados “Estados Religiosos” numa confusa, mas descarada mancomunação ativa de política – religião.

Impõe-se por isso pôr termo a este estado de anormalidade organizativa e vivencial.

Uma abordagem conciliatória deve centrar-se não tanto na esfera política, mas diretamente com os responsáveis, chefes e orientadores das respetivas comunidades regionais e locais das religiões mais tradicionais.

                                    

                                      4)  POR UM DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO RACIONAL E ÉTICO

 A humanidade para existir e subsistir tem de produzir. “É a economia – estupido” (título de um escrito nosso). Mas produzir: Como? Quanto? Estas são, à partida, duas indagações sobre as quais urge tomar posição em definitivo.

A história da evolução humana diz-nos que, na atualidade, estamos perante dois sistemas económicos que se antagonizam – o capitalista e o socialista. Este estádio descambou para a rivalidade na dominação económica mundial, dando campo a ambições hegemónicas de espaços territoriais nos quais se incluem Nações com economias dependentes.

A produção desenfreada, a par do lucro que proporciona, consegue incrementar o estado de dependência e controlo de partes de mundo, repartido em Países, assim se estabelecendo o necessário estado de “tensão” para manter este controlo dominador. Este estado tensional permite o desenvolvimento da indústria de guerra, a mais lucrativa que se pode pensar. A guerra é um produto lateral (by-product) desta política económica.

O excesso de produção é, pois, a via de aumentar o lucro e alcançar a dominação do espaço terrestre (sic. Nações).

É interessante salientar como estas tendências afetam marcadamente as nações dominadas (como referimos na condição 2). Funcionando o lucro como uma mais-valia e tendo essas nações adotado o figurino económico das nações dominantes, a política ditada pelas elites locais acabam por vitimar as próprias comunidades que controlam também através de uma política de exploração, apenas com uma diferença – a de fomentar o estado de dependência em proveito próprio e da burguesia que as suporta, em detrimento das comunidades que era suposto beneficiar (falta de infraestruturas, educação e outros no género).

As centrais nucleares, os altos fornos industriais e seus fumos, a desflorestação entre outros comportamentos e a extração e exploração descontrolada do subsolo, inserem-se neste conteúdo programático.

É neste ponto que cabe indagar sobre o volume desta produção, a sua repercussão na contrapartida do lucro auferido e a gestão do mesmo em termos de utilidade para o bem da humanidade – já que esta é a questão central que nos anima.

Para uma empresa a produção é uma variável que se ativa em função das necessidades do consumo mundial. Uma produção descontrolada e desenfreada é por natureza desestabilizadora, por gerar excedentes e pela inutilidade em termos de consumo. Quanto ao lucro, este é uma componente estrutural do funcionamento empresarial que está condicionado a dois fatores: - a sua manutenção produtiva/laboral e - a provisão para o desenvolvimento atualista da unidade fabril. Tudo o que ultrapasse esses condicionantes, entra no domínio do abuso e desregramento social, que se torna necessário evitar e combater.

É fundamental, no entanto, deixar bem clara a importância que a economia tem no plano existencial da sociedade mundial e o desenvolvimento económico na vida de qualquer nação. O problema, no entanto, assenta na forma como o produto da realização económica é utilizada e posta ao serviço dos países, ou seja, das populações que as integram, nomeadamente, em termos de distribuição e aproveitamento do produto de modo a evitar subnutrição e fome.              

Forçando um pouco o raciocínio, é fácil de enxergar que é precisamente neste ponto que se coloca também o problema do perigo de alterações climáticas, como ainda o da moralização do setor produtivo e social da humanidade.

  

                  5) A PROTEÇÃO DA NATUREZA contra AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS NOCIVAS.

O mundo está cheio de protestos contra as alterações climáticas que põem em causa a vida em geral, com particular destaque para a sobrevivência da humanidade.

Neste aspeto estão em causa as mínimas condições de habitabilidade para a espécie humana.

Geologicamente falando, o planeta Terra sempre conheceu mudanças climáticas. Subjacentemente, catástrofes na e da natureza existiram deste os primórdios da existência terrestre, bem como os fenómenos derivados do movimento de nutação ou dos ciclos de Milankovitch.  

Porém, a questão base que se coloca é, não a de existência de cataclismos, mas a) a frequência, a intensidade e a rapidez com que estes se registam e b) a incapacidade cada vez mais crescente do homem para anular os seus efeitos desastrosos.

Para nos consciencializarmos deste conjunto causa/efeito basta atentar em fenómenos como: o exacerbado aumento do dióxido de carbono na atmosfera e o consequente efeito-estufa daí decorrente; a evaporação gerada, não só de tempestades, mas algo contraditoriamente, também de secas noutras paragens, a progressiva extinção de fauna, os furacões e tornados, o degelo dos Árticos, a intensidade das chuvas, as inundações, os tsunamis, a erupção de vulcões, os deslizamentos de terra, o aumento do nível da água do mar e a deflorestação.

Está ainda por definir o impacto da incontrolada e desmedida extração de petróleo e gás natural do subsolo, nas camadas geológicas, nomeadamente do seu Manto e das ondas sísmicas. Veja-se, a propósito, como o consumo excedentário das águas subterrâneas, através de poços, têm gerado a secagem de lagos.       

- A apreciação da problemática assenta essencialmente em quatro polos de referência: 1º - a vontade e propósito políticos; 2º - a disponibilização do setor industrial, 3º - um dispositivo de fiscalização com poder impositivo, e 4º - a adesão publica.

 Está definido que a maior parte do atentado ao equilíbrio da vida humana decorre da própria ação do homem. Nada de positivo será viável se as Nações do mundo, com particular destaque às mais desenvolvidas industrialmente não se harmonizarem e acordarem definitivamente no sentido de alcançar os parâmetros cientificamente tidos por minimamente ajustados para uma equilibrada vivência humana.

Neste domínio, de nenhum valor assumem as vãs promessas feitas pelos Poderes Políticos das diversas Nações, por já comprovadamente ser de reduzida ou nula eficácia. Isto acontece porque a franja Política mais não tem feito senão seguir o ditame do sector económico, este que afinal tem dominado aquele.

É fundamental que a vontade política proactiva e séria se sobreponha à dominação económica, através de determinações coercivas fixando os limites de sustentabilidade de perigosidade de diversas atividades, a partir dos quais entrariam em ação os organismos reguladores das mesmas.   

- Se é certo que o movimento vital da sociedade gira em torno de Economia, a verdade é que o excesso de produção introduz fatores de desestabilização na evolução do meio ambiente considerado no seu todo.

As emissões de gases e fumos, resultantes do uso do material bélico em guerras, dos altos fornos de fábricas e fornos industriais, a deflorestação, a exploração incontrolada do solo e subsolo, nomeadamente do combustível fóssil e petrolífero, são algumas das macro atividades, subjacentes às alterações climáticas e inerente nocividade de que tanto se fala.

Porque esta ânsia para produzir?

- De promessa em promessa em sentido contrário, expressas em Conferências, Convénios Pactos e Cimeiras, a verdade é que se assiste cada vez mais aos efeitos destruidores desse tipo de atividade.

Impõe-se, isso sim, um conjunto de organismos internacionais fiscalizadores, política e economicamente independentes, capacitados com poder para verificar e regular os abusos das atividades nocivas para a sobrevivência humana.

                      

                                      6) RESPEITO PELOS VALORES EXISTENCIAIS (cultural, político, religioso, social e outros) LOCAIS.

À medida que se vão alinhando as condições para uma vida humana sustentável num planeta com condições de habitabilidade, vai-se tornando cada vez mais evidente, a mútua dependência das mesmas, a ponto de não se poder falar de uma, sem, no mínimo fazer uma implícita alusão às restantes: a desflorestação na Amazónia respeita os direitos dos índios? O “estado de tensão” e as guerras contribuem ou não para a desertificação dos terrenos, para a pobreza da população local, as migrações e a dependência económica do país vitimado? O desrespeito pelo estofo cultural e religioso proporciona ou não o conflito armado, sendo que este se faz sentir com mais veemência precisamente quando os países e a população são economicamente mais carenciados? Tem ou não sido em nome de religiões, ou seitas diferenciadas que se tem praticado atos da barbárie bélica?

Mas há que avançar no raciocínio. O que se ganha com o mero “diktat” de supremacia de um pensamento sobre o outro? Qual o princípio moral que determina que uma religião ou sistema económico é superior ou inferior ao outro – situação essa que agrava quando 3ºs intervém na contenda?

Neste ponto, penso que o leitor alcançou o sentido e a amplitude das perguntas, as quais poderiam abranger outros quadrantes aqui referidos, mas que ficam a cargo do leitor interessado fazê-las.  

Subjacente a estas posturas há uma linha condutora que atiça o ânimo e o consequente gesto. É a ambição, a conquista e apropriação de território (o chamado ‘espaço vital´) e o domínio económico. Este quadro de aspirações só se explica quando um país, ou pretende ocultar as fragilidades internas da governação ou pretende enriquecer-se à custa alheia.       

 Como por termo a isto (qual a receita para controlar este ímpeto desastroso e muitas vezes gerador de destruição?

“Todos os seres humanos são iguais”. Quer isto significar que não existe povo, nação, comunidade ou pessoa que seja detentor da verdade, por que a Verdade é relativa. Tudo depende do estado de conhecimento e do contexto gregário da comunidade de que faz parte. O que é verdade para um pode não ser verdade para outro. A vivência tem sentido quando contextualizada e não idealizada. Por isso se defende a evolução paralela dos povos, sem prejuízo do acolhimento da parte benéfica da evolução do outro. Fundamental é que não se tome a nuvem por Juno e vá de aí assenhorear-se, dominando ou neutralizando os vetores existenciais de outros povos.

Neste contexto, a economia e a religião tem de merecer particular atenção. Se, historicamente podem merecer uma certa compreensão pelos desmandos cometidos em seu nome, a sua

projeção na atualidade foge aos valores alcançados pela inteligência humana – toda ela pautada por n cânones de convivência, solidariedade e humanismo.

Com que direito, estará um Estado a tentar impor a um outro Estado a normatização como deve orientar a sua economia?  Qual o princípio que determina que uma religião é superior a outra? Mas a verdade é que são os países economicamente desenvolvidos e também os países economicamente débeis que, em nome destes princípios e direitos inexistentes ou de um deus inominado que de desencadeiam guerras, fomentam conflitos, arrasam populações, provocam migrações e fugas de populações, destroem habitações e trucidam milhões de humanos, que de longe ultrapassam as vítimas das catástrofes da natureza.

A resistência, o protesto e a solidariedade são as únicas vias para pôr termo a estas atrocidades?

Até quando?

                                

                                      7) CONHECER E VALORIZAR A NATUREZA ATRAVÉS DE SUPREMACIA DA CIÊNCIA-

Do que se sabe, é muito parco o conhecimento do nosso planeta. Vejamos: ainda está por saber o porquê do “timing” das movimentações de placas teutónicas, geradoras de terramotos e a

 

ativação dos vulcões. O fundo dos mares e oceanos está ainda por explorar. O impacto de um meteorito pode destruir o planeta ou tornar a sua habitabilidade intolerável.  

 Vem este introito para demonstrar que o estado de contingência do planeta Terra não pode ser exclusivamente atribuído à ação do homem e que há fatores da natureza ou do universo, como que externos à vontade humana, que podem fragilizar o planeta por completo, a um extremo onde a vida se torne impossível ou extremamente difícil na sua existência.

Mas a ação do homem pode moldar pela positiva este condicionalismo aliviando o peso do temido cataclismo.

Por um lado, urge alertar a população mundial, para o perigo em si. Tal exige à partida uma atividade proactiva por parte a) dos Governos neste sentido. Por outro lado, todo o apoio deve ser tributado b) às ONGs verdadeiramente empenhadas nesta tarefa. O efeito regulador dessas intervenções deverá conduzir a que as sociedades e comunidades adotem hábitos de higiene e de limpeza, quais fatores de autoestima e de autoconservação. Até ao presente, infelizmente a atitude dos Governos não tem preenchido este requisito e, por outro, as referidas ONGs têm sido hostilizadas, se não mesmo neutralizadas nas iniciativas.

A falta de vontade política por parte dos governos ocorre, como já se referiu, do facto de estarem economicamente condicionados. Essa vontade para alterar o rumo do perigo, vai apenas até onde o interesse económico o consentir, o que na prática se tem confinado a vãs promessas que ficam geralmente por cumprir. Esta atitude política é contagiante e, portanto, generalizada por outros setores de atividade humana. Promete-se, mas não se cumpre. O rumo que a concorrência económica tomou entre os países economicamente desenvolvidos tem sido pouco propício para encarar a humanidade e o planeta sob o prisma de vetores determinantes de existência vital. Por sua vez os países pouco desenvolvidos ainda não conseguiram autonomizar-se de modo a serem eles próprio os mandantes da sua produção, que continua assente nos parâmetros coordenados pelas grandes economias.

É, no entanto, certo que se vai investindo na pesquisa científica, e honra seja feita aos investigadores que, na batida do tempo, vão dando resposta à multiplicidade de problemas que aflige a humanidade, dentro das possibilidades de que dispõem. É que há muito para investigar.

Tudo depende do investimento na investigação científica e este tem sido pouco expressivo face à magnitude dos problemas existentes e do muito que há ainda por investigar, para a preservação da natureza, para alimentar a humanidade e gerar condições de habitabilidade.

Sem pôr em causa a exploração espacial, seria de total interesse explorar o fundo dos mares para efeitos alimentares e não só; também o interior da Terra, prevendo os tremores de terra, o condicionamento da atmosfera, resolvendo entre outros perigos, o “efeito estufa”; gerar a chuva artificial quando necessária e porque não - afastar o choque do meteorito, controlar os efeitos da radiação interplanetária e solar na terra. Eis alguns aspetos e seguramente outros haverá para que à ciência se abra o campo de ação e de apuramento para o bem da humanidade. 

A investigação científica em todos os campos da atividade humana é sumamente obrigatória e uma prioridade das prioridades.

                              

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                                    De Ética à Solidariedade – De Egoísmo à Partilha

OS QUATRO MARCADORES QUE PODEM DEFINIR A DIFERENÇA e ATIVAR AS SETE CONDIÇÔES

 A cada catástrofe assiste-se a campanhas de solidariedade. Embora não seja feliz, o contexto faz lembrar o envio de carne para canhão e mortes na guerra, montando-se em simultâneo, tendas de campanha hospitalar para cuidar dos feridos!

O mesmo se diga da recente campanha pro-migrantes, com particular destaque aos que fogem do seu país à procura de melhores condições de vida, depois que os respetivos países foram fustigados e destruídos por conflitos e guerras provocados por aqueles que tomaram a iniciativa e por vezes continuam a acalentar o prosseguimento dessas contendas!

quatro marcadores -3 de natureza positiva e 1 negativo - que podem conter esta ânsia maléfica de “homo homini lupus” e ativar as sete condições acima traçadas em formato integrado.

É obvio que nesta apreciação se vai partir não do zero, mas das atuais condições em que o mundo se encontra.                              

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(ÉTICA): É básico que se respeite a vida humana e a natureza. Se assim é, destruir para reconstruir é antiético. Para que este marcador releve, é imprescindível que o seu agente impregne as suas ações com os princípios que as ditam, e que se concentram na Ética.

Ora bem. O mundo está repartido por Estados soberanos. Nada pode legitimar que um país, sob que alegação for, se intrometa nos assuntos internos do outro e menos ainda, quando visa alterar o regime político-económico aí vigente, fazendo uso de hostilidades, de meios violentos como a guerra ou de natureza económica como o bloqueio ou sanções económicas.  O mínimo que, desse tipo de atuação se pode dizer é que contraria a Ética.          

Esta apreciação é particularmente relevante no plano político, já que é desta esfera que dimanam as ações agressivas e os pressupostos que as fundamentam.   

O direito natural de coexistência humana não pode legitimar ações que pressupõem a destruição da espécie. A guerra, é por isso e por natureza um ato contrário à ética, sendo particularmente condenável quando movida para assegurar interesses egoístas de foro étnico e/ou religioso, ou fundada em razão impositiva de superioridade económica ou de mera ocupação territorial.

O mesmo se diga tratando-se de bloqueios económicos, que mais não fazem senão contribuir para uma maior carga de carências e de sofrimento para o conjunto comunitário destinatário desta medida.

(SOLIDARIEDADE): Solidariedade não é caridade. Esta pressupõe um sentimento de superioridade face ao destinatário. Aquela movimenta-se num plano de igual para igual. Na solidariedade, aquele que dá incorpora a situação daquele que recebe, numa operação anímica em que o dador se coloca na posição do recetor. Neste paradigma, a solidariedade, designadamente no plano político envolve sim uma postura em continuidade, eticamente fundada, contemplando todas as situações que demandam este gesto.

Este entendimento desfaz a máscara aparentando o “bem fazer” enquanto subjacentemente se vão tecendo os cordéis e se vão lançando as bases que anulam os efeitos da solidariedade prestada. Em termos mais simples, seria o caso de ‘dar com uma mão e tirar com a outra’. Outras vezes, a ‘solidariedade’ é realizada com agressões sob a alegação de que por essa via se defendem valores humanitários, a democracia ou outros de diversa natureza. São casos em que a ética dos autores destas proezas fica marcada por cânones de iniquidade e falsidade.

Um mundo, onde a solidariedade entre comunidades e Nações venha a existir, é decididamente, um mundo onde pode vir valer a pena viver.

(EGOISMO): Boa parte de história da humanidade tem sido marcada por atos que envolvem o voluntarismo individualista. O reflexo desta postura revela-se no egoísmo que é atinente aos dirigentes de muitos países ou comunidades. Estes responsáveis, através das políticas públicas e diretrizes que elaboram, agem como se fossem só as suas instâncias a terem o direito à existência ou entendem que outros tem de estar numa relação de permanente dependência para com aquelas. Todos os fenómenos de exploração ou de conflitualidade dimanam desta inspiração egocentrista. Assim caracterizado, o egoísmo pressupõe a subordinação existencial de todas os outros Estados e comunidades aos interesses do país impositor.

Até que ponto pode um país exigir a defesa dos seus interesses num outro (país)? A resposta é simples: Até onde esta defesa assegure o respeito de soberania desse país, posto que pautado pelo matiz do direito internacional e dos princípios elementares de convivência comunitária. Se assim não for, a sã convivência entre Países fica reduzida a uma mera quimera, gerando desequilíbrios no trato relacional mútuo, com o risco de descambar para a franja de conflitualidade – situação que, infelizmente, ainda hoje, se verifica.

(PARTILHA) Partilhar e não sancionar- terá que ser o lema dos habitantes da Terra, repartidos por Nações. Como já se referiu, o mundo apresenta-nos dois macro sistemas económicos – o capitalismo e o socialismo, com as respetivas nuances, que os países, através de instituições políticas, adotam, por motivações mais diversas, em conformidade com as demandas dos povos e comunidades que os compõem.

O facto de as traves-mestras destes dois sistemas serem distintas, não avalisa tentativa de um para eliminar ou dominar o outro. Qual o interesse de uma Nação em alterar o sistema político económico vigente noutra? Em nome de que princípio ético se pode legitimar essa intervenção, que afinal acaba por desestabilizar o mínimo de equilíbrio aí existente, quando inexiste qualquer medida de aferição para assegurar a supremacia de um sistema sobre o outro?

A partilha não é imposição. Partilhar implica a colaboração de quem dá e a aceitação por parte de quem é recebe. Esta eventual interação, não invalida a absorção, por qualquer das partes, dos atributos ou valores tidos por válidos do sistema adverso. O que não deve haver é campo para motivações inventadas, já que a razão da partilha assenta precisamente nos bens materiais e imateriais que constituem o acervo do seu agente ativo e na carência desses mesmos bens por parte do agente passivo. Neste entendimento é pura fantasia acreditar que um país possa partilhar ou contribuir para a defesa de direitos humanos quando ele próprio, a todas luzes os desrespeita no seu próprio seio ou que possa contribuir para paz fomentando a guerra ou sustentar um permanente estado de tensão.

 

Conclusão:

Convido o leitor para verificar a eventual compatibilidade entre o acima ficou dito e a realidade circundante.

Estamos em 2022. Até ao presente, inúmeros tem sido os “summits”, conferências, encontros, acordos, seminários e outras realizações tendentes a viabilizar soluções para tornar o Planeta Terra mais condignamente habitável no presente e para o futuro. Livros, artigos científicos, de opinião e teses recheiam as bibliotecas e os escaparates jornalísticos e livrarias. Recomendações de instâncias internacionais, programas de organismos especializados e promessas de dirigentes políticos preenchem o quadro dos anseios dos habitantes do mundo. Algo foi feito sem dúvida, mas a mera observação da realidade quotidiana que se vive, já não nos segreda, mas dita-nos, alto e bom som, que quase tudo está por fazer.

É incómodo aceitar o que acima se disse, particularmente por parte dos Países e dos dirigentes governamentais, enquanto responsáveis pelas políticas seguidas, resultado das quais são mais que evidentes e estão à vista.

E o mais grave é que não há que falar de um plano B.

Por uma real humanização do decisor político, assente no condicionalismo compósito acima referido, sustentado pelas coordenadas acabadas de referir, é o caminho a seguir.  

Vale a pena tentar.

Lisboa – 30/01/2022

                                                                      António Bernardo Colaço

                                       (Juiz – Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça - Jubilado – Portugal)   

                    

domingo, 3 de abril de 2022

Livro -Sindicalismo na PSP - medos e fantasmas em democracia

 

     

     Sobre o livro “SINDICALISMO NA PSP – Medos e fantasmas em democracia”.

O livro é um quase diário, relatando os momentos marcantes do que constituiu a luta da então Comissão Pró-Associação Sindical dos Profissionais da PSP. Pelo conteúdo, é único no género sobre o sindicalismo policial em Portugal, tendo servido por isso como uma obra de referência para estudos académicos.

O livro foi apresentado em maio de 2001 pelo então ex-Ministro de Justiça e ex-Provedor de Justiça Dr. José Meneres Pimentel, na sede da Associação 25 de Abril – Lisboa.

Escrito em coautoria, um jornalista e um magistrado, que não pertencendo ao estrato policial, acompanharam de perto o processo reivindicativo de dignificação da classe de profissionais em apreço, empenhando-se em pesquisas jornalísticas e na elaboração dos fundamentos jurídicos do direito ao associativismo representativo na instituição policial.

De tudo isto, é o livro repositório. Aí se mencionam as lutas, o sofrimento, e a repressão, mesmo quando se vive em democracia. Por isso a menção individual dos protagonistas ‘de um e do outro lado da barricada’ constitui um elemento de relevo, bem enriquecido pelas notas de rodapé.

Daí, finalmente a advertência que o título do livro reflete e a que cada agente policial deve estar atento.

Lx – 17.03.2022           

terça-feira, 2 de junho de 2020

A POLÍCIA e o POLICIAMENTO


                (Enquadramento: *vigência do Covid -19 (3ª fase de desconfinamento)  *assassinato do negro George Floyd em  Minneapolis/EUA - *lançamento da nave espacial Space X - numa iniciativa privada -  Alan Musk /pública - NASA).

É um complexo de acontecimentos distintos mas que aparentam estar interligados dando origem a situações destemperadas. Sem dúvida que a pandemia tem vindo a marcar o comportamento das pessoas, por vezes, algo desconcertadamente. Vejamos o caso do Trump, que aproveitou o lançamento do Space X para enaltecer a sua iniciativa para demonstrar que América é "great" não necessitando de qualquer colaboração russa. É certo. No entanto, note-se que foi um astronauta russo quem deu as boas vindas aos dois astronautas na Estação Espacial Internacional (onde, há meses, estão dois russos e um americano). Esta estação não é um exclusivo americano. Não faz pois sentido a afirmação do Trumpa, (desculpe a pronúncia e o escrito, queria dizer Trump) pois não consta que os russos lancem foguetões do território americano. É interessante salientar que esta forma de estar do presidente americano tem lugar num momento em que anda completamente desvairado, raiando um psiquismo deficiente, numa provocação contra o governo da República Popular de China, atribuindo-lhe a "criação do coronavírus" com propósitos de dominação político económica mundial - acusação essa que a entidade chinesa interpreta como uma afronta para a guerra fria. Como se isto não bastasse, dá-se o assassinato do negro George Floyd em Minneapolis por um agente de polícia branco, acontecimento este que atiçou o protesto dos americanos contra o racismo imperante nas forças de segurança americanas. Segundo o noticiário  da BBC - América está a ferro e fogo.
Fica fora do âmbito deste escrito estarmos a comentar analiticamente estes acontecimentos no seu conjunto e entrelaçado. Na refrega deste último incidente o Jornal Público de 01.06.2020 (fls 28) reporta a morte de Floyd e ao evento em que dois carros de polícia de Nova Iorque investem contra uma multidão que protestava. Cita então Arthur Rizer, investigador e  responsável do Instituto R. Street, com sede em Washington D.C, e filiais na Florida, Texas, California, Alabama e Ohio - uma organização conservadora que se dedica á formação e gestão de políticas de segurança. Questionado referiu que "criamos um mundo, em que não nos limitamos a militarizar a polícia - estamos a  equipar os policiais como soldados. Porque é que ficamos surpreendidos quando eles agem como se fossem soldados?" Está tudo dito e explicado. Pelos vistos a questão não se confina apenas ao militarismo policial mas ramifica--se à racismo.
Trata-se de uma situação que dá que pensar. Em Portugal o agente da PSP - Manuel Morais - Lisboa, denunciou há bem pouco tempo a existência de manifestações de racismo e xenofobia nas forças policiais, e são bem vivas as imagens que por esta altura ocorreram no bairro de Jamaica - Lisboa. Ora bem. É sabido como a problemática de segurança ao nível europeu está a ser influenciada gradualmente pela infusão militarista da NATO, onde o papel dos EUA predomina. Apesar da Constituição da República distinguir a segurança interna e a defesa nacional, estando aquela a cargo da entidade policial e esta da entidade militar,(salvaguardados, os estados de exceção e a  implícita colaboração das Forças Armadas com o sector civil), tem-se assistido por parte do poder político a um voluntarismo político em manter militarizadas algumas forças policiais (GNR, PM) que por imperativo deveriam ser de natureza civil. Faço votos para que neste contexto não haja qualquer transmissão desta americanice.                       

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

A CONDIÇÃO DO MUNDO


Nota prévia: O texto que se segue é a tradução de uma carta que foi publicada na revista Goa - Today (Dez. 2019) tendo por referência dois artigos anteriormente publicados na mesma revista. Atenda-se que pensar em inglês é algo diferente do pensar em português sem no entanto perder o sentido das coisas.  

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                                                     MENSAGENS SIGNIFICATIVAS
Devo confessar o valor acrescido e a qualidade superior das mensagens contidas nos dois artigos da sua edição de Novembro - As lendas célebres e mitos da religião de Prabakar Timble e Como Goa se extinguirá de Nandkumar Kamat. Estes escritos constituem, na realidade, uma análise íntegra e uma resposta aos problemas mais recentes que constituem uma praga real para a humanidade.
De facto, há muito tempo, qualquer religião tem, constituído uma ameaça à existência humana. Quando a religião foi referida como "o ópio do povo", não o foi no sentido de que não podia ou não devia ser seguida mas que havia sido utilizada mais como um "um comprimido para adormecer". Neste sentido e medida, a religião tem sido usada "como uma arma de destruição" de comunidades humanas, de países e nações. Guerras e conflitos tem sido desencadeados, sob o pretexto de diferenças religiosas, afim de satisfazer ambições económicas e realizar o domínio imperialista. A "Primavera Árabe", o 'diferendo' Sunni-Shiia, o efeito Bolsanaro fomentado pelas recém formadas igrejas cristãs, o conflito Israelo-Palestiniano e as perturbações Indo-paquistanesa, são apenas uns tantos exemplos desta perigosa estupidez humana. Se tivermos em linha de conta o alto nível de pobreza prevalecente nestes países ver-se-á que é altura de adotarmos um procedimento pró-ativo contra esta loucura.
É provável que a previsão de Nandkumar nos vá permitir viver mais tempo; porém, a probabilidade de tais perigos poderem ser reais deve forçar-nos a ser mais objetivos nos nossos procedimentos, não apenas em relação à Natureza mas também para connosco.
Todos aparentam estar preocupados acerca de alterações climáticas e tal é de facto, um perigo real. Mas devemos consciencializarmos que antes do destino ecológico explodir acabando com a raça humana, as tentativas para a sua destruição estão já a acontecer em muitas partes do mundo resultantes das sanções económicas como é o caso do Irão, Venezuela ou Cuba, as ameaças de conflito permanente entre países como a Índia e o Paquistão, entre os povos Israelita e o Palestiniano ou algumas comunidades Africanas, especialmente quando os respetivos povos estão á beira de pobreza.
As instituições internacionais, tal como a ONU parecem prestar mais atenção a pequenos incidentes que embora importantes, não nos devem fazer olvidar os perigos de conflitos mais generalizados e bem localizados e bem mais graves forçando o seu termo imediato.   Bernardo Colaço  - Lisboa - Portugal          

sábado, 27 de julho de 2019

O FANTÁSMA DO INCÊNDIO NA FLORESTA

                                       O FANTASMA DO INCÊNDIO NA FLORESTA
  - É algo grotesco estar a titular desta forma ao que acaba de ocorrer em matéria de incêndios (com particular destaque a Vila de Rei e Mação). Mas outra expressão seria descabida após as pomposas afirmações, propósitos e programas delineados e traçados no rescaldo do acontecido em 2017 em Oliveira de Azeméis, e no seguimento do que, o ano de 2018, longe de servir de um tempo catalisador para o acerto de soluções nesta matéria, tudo parece ter regressado à estaca ZERO, à exceção do valioso trabalho e empenho dos bombeiros. 
  - A problemática de incêndios florestais é sem dúvida complexa e apetece chamar, não sem razão, nomes pouco apropriados às superestruturas governamentais e da defesa civil, pela inépcia e ineficácia demonstradas no combate às chamas. Foi triste ver o Ministro de Administração Interna acolher-se sob a capa de que estava em investigação a origem criminosa do fogo para justificar a dimensão do fogo, ou o Presidente da Defesa Civil, sem enjeitar as responsabilidades, a referir que os "homens" faziam o que podiam, naturalmente pensando também naqueles populares desesperados, munidos de vulgares mangueiras de jardinagem e baldes a tentarem salvar o pouco das suas pertenças.
  - Não tenho capacidade nem conhecimentos técnicos para tecer considerações críticas sobre como deve ser feita a manutenção de florestas ou formar uma frente contra os incêndios florestais. O que posso é, como cidadão preocupado e observador, destacar aspetos que contribuam objetivamente para evitar este flagelo, pelo menos numa base de sustentabilidade - o que não tem sido observado.
 Assim:
* Tratando-se de um incêndio florestal o que está em causa é a imperiosidade de o extinguir o mais rapidamente possível, com o menor dano, quer para a floresta, quer para o do cidadão, (habitação e haveres), quer para a localidade onde o fenómeno ocorre. 
* Embora sejam expectáveis futuros incêndios (este ano e em anos vindouros) apesar da área sujeita a este flagelo ir gradualmente definhando (i.e. menos terreno para arder), o que urge é assegurar a capacidade e a forma eficaz de o combater. O rescaldo que acaba de se verificar demonstra que tal eficácia não existiu ou ficou muito aquém do desejável. E esta é uma responsabilidade solidária do MAI e dos Municípios. Vejamos porque:
* Para justificar este triste rescaldo, aponta-se a circunstância de se ter tratado de fogo posto por mão humana. Cumpre dizer a este respeito, que o facto do incêndio florestal ser de origem criminosa (por negligência ou dolosa) não tem a virtualidade de agravar as consequências do incêndio, nem justifica qualquer défice no seu combate. A base criminal do feito tem a sua sede própria de ajuizamento no tribunal, o que nada tem a ver com a eficiência com que o incêndio tem de ser combatido.
* Um último considerando prende-se com a natureza preventiva do combate ao incêndio florestal. Do que tem sido divulgado, está demonstrado que não existiu ou tem sido significativamente desleixada a efetiva fiscalização e cumprimento em matéria de limpeza de terrenos no que toca à eliminação dos materiais de combustão (tipo erva rasteira e outros), existentes, quer em terreno florestal, quer ao longo das estradas e caminhos, quer próximo das habitações - fatores esses. muitas vezes geradores ou propulsionadores do flagelo de incêndios. Esta é uma tarefa que, ao longo do ano, tinha que ser exercida e primar pela sua imediata executoriedade. Poderia não evitar o incêndio mas seguramente iria contribuir para reduzir as suas proporções. As Juntas de Freguesia e à GNR tem uma palavra a dizer a este propósito.
É possível por termo a esta "ópera" ou pelo menos torná-la menos espetacular.        

quarta-feira, 6 de março de 2019

A CRISE DA IGREJA e/ou A INEFICÁCIA DO SEU RITUAL DOUTRINÁRIO


A cimeira da Igreja Católica presidida pelo Papa Francisco a 21 de Fevereiro de 2019 sob o tema " A protecção dos menores na Igreja" reveste-se, sem dúvida, de um marco ímpar no  historial da Igreja Católica, algo semelhante à sua "mea culpa" e pedido de perdão pela Inquisição. Nesta cimeira que congregou, além do mais, 190 Presidentes de Conferências Episcopais, esteve em debate analítico o sem número de casos de abusos sexuais de menores praticados, atribuídos ao clero, no meio dos quais se pode destacar exemplarmente dois cardeais: - Theodoro Mc Carrick, E.U.A, expulso da hierarquia eclesiástica e - George Pell, de Austrália, detido, acabado de ser condenado pela justiça desse país num cômputo de 50 anos de prisão (de notar que este cardeal, era o nº 3 do Vaticano, tendo ocupado a pasta de Economia entre 2014-2017. De insólito, tem no seu  palmarés a violação de 5 jovens, entre estes, um de 13 anos, actos, pelo menos um deles, praticado nos recintos da Catedral de Melbourne).
Pelos vistos, dada gravidade do temática a que a Cimeira se destinava, não terão relevados outros casos do género, como as violações de maiores, o lesbianismo em conventos e colégios de freiras, os artifícios para alcançar favores sexuais e outras situações do género, a comprometer invariavelmente  as "virtudes" de que o clero se proclama personificar como representantes do "divino".
O rescaldo da Cimeira, que durou, salvo erro, 3 dias, saldou-se na indicação de 8 ideias conclusivas (1 - Protecção de Menores, 2 - Seriedade impecável, denúncia à autoridade, 3 - Uma verdadeira purificação. 4 - A formação, 5 - Reforçar e verificar as directrizes de Conferências Episcopais, unidade de acção, 6 - Acompanhar as pessoas que sofrem de abusos, 7 - o mundo digital, 8 - O turismo social.) - itálicos meus. Trata-se, sem dúvida, de um alinhamento de boas intenções, traçando rumos para actuações programáticas para o "doravante". São, no entanto, pouco garantísticas de que sejam de molde a evitar maledicências no futuro. Na verdade, a Cimeira limitou-se a constatar e reconhecer o que era evidente e não podia ser ignorado.
Ficou por definir o porque das coisas, donde vinha o envolvimento, a inclinação dos responsáveis pela acção da Igreja ou seja, enquanto as causas do fenómeno não forem difundidas e eliminadas, é manifesto que este corre o risco de se repetir. Será que a Cimeira não estava consciente dessa omissão? Tudo leva a supor que esta consciência existia, Na verdade, ir ao fundo do problema envolveria ter que tomar posição sobre questões como o celibato, o confessionário, a razão divina sobre específicos comportamentos humanos, o secretismo, a indiscutibilidade das opiniões do prelado a infalibilidade da igreja(!) e outros do género.  
Ao assim proceder, a Igreja deixa em aberto a posição a assumir perante a validação do projecto doutrinário de que a religião católica diz representar. E a indagação é tanto mais pertinente quanto é certo estarem envolvidos neste projecto os mais altos dignatários da Igreja, alguns deles com responsabilidades não só institucionais mas de representação. E então interroga-se: se assim é, qual é a força, o impulso da regra doutrinária desta corrente religiosa? Se não foi capaz de disciplinar e convencer os seus próprios dignatários e responsáveis, como, poderá arrogar essa disciplina no amplo contexto do seus crentes? E no plano subjectivo dos ritualistas da Igreja, pergunta-se: com que tipo de valoração e força ética podem clamar e exigir do fiel ou crente que lhe obedeça, se ele próprio demonstra que a doutrina religiosa que professa não foi capaz de o transformar para o Bem que proclama? Já lá vão os tempos em que se acreditava no " faz o que te digo, não faça o que faço". Aliás, é neste fundamento que reside a perda de substância na prática religiosa, sendo cada vez mais crescente o número dos que se dizem incoerentemente "católico não praticante", imperando neste campo o culto do mero formalismo religioso, até por conveniência própria ou social.
Entendo, por isso, que fica aqui posta em causa a força de convicção derivada da crença  que o prescrição religiosa pretende arrogar-se. Atente-se que não estão em causa os valores que a religião em apreço diz defender. São no entanto valores que qualquer filosofia ou corrente ético-social preceitua, sem que para tanto se tenha que se abalançar a um patamar do transcendente, espiritual ou metafísico, de crença ou . de crendice.
De tudo o que se disse, fica em aberta a sensação em como a Igreja não foi mais longe neste cimeira, porque se o fizesse colocaria os seus pilares num equilíbrio instável~. E por cá fico.


quarta-feira, 1 de agosto de 2018

O RETORNO - O Mundo dos Homens e das Coisas.


Cá estou, decorrido mais de um ano sobre a minha última intervenção. As pessoas que por vezes me honram passando uma vista sobre "para saber se o Colaço escreveu algo" poderão ter dado pela ausência - mas, provavelmente nada se perdeu. Com efeito o mundo foi girando, e a vida foi "acontecendo" com os seus pulsões. Mas confesso - muita coisa de importante sucedeu  - à margem deste blog, marcando o ritmo da realidade, por vezes instável, mas sempre em equilíbrio.
Penso que é indiferente conhecer as motivações deste meu interregno; significativo é que tenha retomado a actividade no blog - todavia, sem a garantia de que não possa em qualquer altura, mais uma vez, interrompê-lo e retomá-lo de seguida. A probabilidade é enorme pois tenho em mão um projecto pessoal de alcance familiar com termo previsto para o mês de Outubro E pronto.
FACTOS EM REVISTA (para eventual recordação): Relacionarei sem preocupação cronológica -mas apenas para que fique em registo o que me ocorre nesta data, assim de rompante, sem óbvio reconhecimento da importância de outros, que não vão mencionados simplesmente porque não me ocorrem de momento (também não posso esperar pelo despertar da memória pois então correria o risco de se tratar de um trabalho sem fim): - as vítimas  dos incêndios florestais, nomeadamente em Pedrogão - Grande em Junho de 2017 (falta de uma política florestal de conservação) a que acrescentarei agora a mais recente tragédia na Grécia em 21 de Julho de 2018; - os mini tsunamis em Minorca (e Mallorca) (17.07) - onde Deolinda , António e eu estivemos 2 semanas antes - (alterações climáticas); - a situação do povo Rohinyas - Myanmar (problema de intolerância religiosa e de minorias  étnicas e o compromisso politico ideológico de dirigentes tidos por prestigiados - prémio Nobel - como Aung Suu perante o militarismo);  - o heróico salvamento e não menos heróico endurance dos 13 enclausurados na gruta Tham Luang - Tailândia - (a solidariedade, o sacrifício e o engenho humano); o encontro Kim (coreia do Norte) e Trump (USA) na previsão de um desanuviamento nuclear ( tradicionais inimigos) a que acrescentaria o retorno à conflitualidade neste campo entre USA e o Irão, no contexto de uma política anti-Obama no sentido do empenho do Trump em desfazer tudo o que de positivo Obama havia alcançado; o prosseguimento da política de Israel, como um autêntico rogue - country no que é apoiado pelo Trump (tendo em conta a mais recente proeza deste em tentar reinstalar a Embaixada de USA para Jerusalém) e a insólita qualificação pelo Parlamento Israelita em reconhecer Israel como um Estado Judeu - uma posição à qual havia sido dada força jurídica pelo Tribunal Supremo desse mesmo país;  o centenário de Nelson Mandela e o bicentenário de Karl Marx (a mera referência diz tudo) e para finalizar, a menção à decisão de duvidosa força jurídica (não afastando a eventualidade de  um quid de ingrediente político) de enviar (desaforamento) para Angola o processo crime onde é arguido o Vice Presidente deste pais, sobretudo quando esse país se recusava sistematicamente a cumprir o requisito processual de notificação. Haveria porventura mais items a assinalar, mas este referencial parece-me suficiente para a localização das coisas no tempo e lugar.
Não queria dar este post por terminado sem chamar atenção a uns aspectos que me parecem pertinentes: i) O conflito, israelo - palestiniano, é o núcleo de desencanto e o ponto onde se centra a descrença nas instituições nomeadamente internacionais para a tão almejada paz e solidariedade. A ONU tem de sair do seu "assobiar para o lado" quando as suas Resoluções são descaradamente desrespeitadas por parte de Israel deixando que este país vá ocupando sistematicamente espaços da terra palestina à base dos "colonatos" pactuando com a vitimização de Israel quando os palestinianos reivindicam a sua terra! A ONU tem de exigir o respeito que lhe é devido  e enviar para já os Capacetes Azuis para por ordem no local. Por outro lado, se é que se pretende a criação de dois Estados é fundamental que a OLP e o Hamas ponham de  parte as divergências tendo em conta que a generalidade dos palestinianos prefere viver,  não morrendo num contexto de uma rivalidade interna e de uma conflitualidade desorganizada, (esta é aliás a triste sina dos países pobres como India/Paquistão, ou aqueles onde se mata e se aniquila em nome da religião  e alguns países africanos onde organizações se digladiam e muitos governos pactuam com a violência e a miséria dos seus próprios habitantes, sujeitando-os a um enquadramento quase esquizofrénico de reivindicações, onde  uma nesga de terra, muitas vezes improdutiva  parece ter passado a valer mais que milhares de vida humana. Não se veja neste meu desabafo o propósito de pactuar com ocupações ou dominações territoriais, mas o de alcançar vias de reivindicação adotando-se metodologias sustentáveis. A outra questão prende-se com a trampa que o Trump anda a fazer, acalentando cada vez mais o "dito por não dito", rasgando acordos e lançando instabilidade porventura daí saindo apenas o incremento e aumento da sua fortuna. E por cá fico.